20 de março de 2021

Sonhos de primavera | Emerson Silva

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos a primeira resenha, feita em parceria com a Confraria Crônicas Fantásticas. E o conto que vai estrear por aqui é Sonhos de primavera, do autor Emerson Silva.
Sonhos de primavera | Emerson Silva
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

12/24 
Livro: Sonhos de primavera
Autor: Emerson Silva
Editora: Confraria Crônicas Fantásticas
Ano: 2021
Páginas: 130

Numa metrópole cyberpunk, um policial investiga um caso de assassinato. A vitima, era uma jovem de traços delicados, que teve o seu “Chip de registro”, um implante cibernético obrigatório que funciona como um documento de identificação padrão, removido do corpo. Mas o que mais chamou a atenção do policial, foi a nítida expressão de paz e tranquilidade absoluta, mal sabia ele que estava prestes a entrar numa espiral de eventos que mudaria o curso de sua vida de uma vez por todas.

 

Sonhos de primavera | Emerson Silva

 

Já perceberam que estou na onda dos contos ultimamente, né? Nesses tempos estou dando maior preferência para eles, por serem leituras que se desenrolam mais rápido e eu acabo lendo mais.
E a Confraria me caiu como uma luva, já que eles fornecem contos. Nesse em especial, temos um pouco do que mais gosto em literatura, investigação e distopia.
Sonhos de primavera se passa num Brasil do futuro, onde (pasmem) todo mundo tem acesso à tecnologia de ponta. E quando digo todo mundo, é todo mundo mesmo. Computadores e celulares não são mais necessários; é tudo, literalmente na palma da sua mão e nos seus olhos.
E os documentos que normalmente enchem nossas carteiras, agora estão todos resumidos em Chips de Registro, que são implantados na nuca das pessoas e atualizam sem que você faça muito esforço. A segurança tecnológica anda tão avançada também, que não se tem mais necessidade de tomar cuidado com senhas e afins.
Então aparecer um corpo no necrotério, sem o Chip de Registro, chama a atenção de todos na delegacia, especialmente de Beto, que ficou a cargo da investigação. A partir do momento em que a vítima não tem mais o chip, ela se torna um fantasma. Então, quem era ela, e o que a levou a não ter mais o equipamento?
Além disso, a mocinha parece ter morrido numa paz tão grande, que chega a parecer estranho ela ter deixado que seu chip fosse retirado por livre e espontânea vontade. O chip foi retirado antes ou depois da morte dela? Quem teria retirado o chip da menina e por quê? São tanta perguntas, que acabam levando Beto se vê com um mistério à moda antiga nas mãos.
“Tinha vivido tanto com a tecnologia que agora era uma parte fundamental de sua vida. Viver sem ela não era uma hipótese capaz de ser concebida por sua mente.”
Quando me enviaram o conto, eu não sabia o que esperar, já que são contos exclusivos e nem no Skoob tem. Beto é um detetive que parece ter perdido o gosto de viver. Pela descrição, ele era um homem bonito e com uma boa saúde, mas a vida acabou levando ele a ter um gosto acentuado pela bebida.
Para evitar uma cirrose, ele tem um fígado cibernético, que não lhe dá problemas, independente de quantas garrafas bebe por dia. E, para ser um bom agente, que pega qualquer bandido, ele tem pernas biônicas que assustam qualquer um por onde passa.
Mesmo com tantos aparatos, ele ainda parece infeliz. Não apenas ele, mas implantes cibernéticos são o novo modo de vida de todas as pessoas. No entanto, esses implantes acabam levando embora o gostinho do desafio, de aprender com as derrotas da vida, e a infelicidade parece fazer parte também desse futuro.
Só que já é tão comum viver assim, que qualquer coisa diferente chama atenção. A vítima em questão sofreu um crime brutal, já que tirando o Chip de Registro a pessoa vira, literalmente, um fantasma.
Ninguém sabe mais quem era a mocinha, aparentemente, não tem um parente que ligue para ela. Então Beto acaba se compadecendo e pega o caso, principalmente porque a menina parecia… feliz…
Como que alguém, em sã consciência, passa por um crime brutal como esse e ainda fica feliz?! Beto fica cada vez mais curioso e vai atrás de respostas, que acabam culminando nos Sonhos de Primavera, que parecem estar relacionados com a felicidade, não apenas da vítima, mas de outras pessoas.
Beto, até então querendo fazer justiça pela menina, quer mover mundos e fundos para que isso aconteça. Mas será que realmente ela precisa de justiça tanto assim?

“Era um tipo de seleção injusta, mas a justiça sempre foi a maior mentira inventada pela humanidade.”

Quem teria sido o culpado pela retirada do Chip de Registro? O que os Sonhos de Primavera teriam a ver com isso? São tantas perguntas, que Beto se vê questionando como foi parar a vida que vive.
Em meio a cenas de “tiro, porrada e bomba”, alta tecnologia e mistério, temos também um conto que te faz pensar sobre a nossa própria vida e o que a sociedade nos empurra, dizendo que é a única coisa certa a se fazer para se encaixar nela.
Sonhos de primavera | Emerson Silva
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

Apesar do conto se passar num futuro, aparentemente distante, ainda mais se falando de Brasil (rsrsrs), Beto poderia ser qualquer um de nós atualmente: uma pessoa que fez escolhas das quais se arrepende amargamente e não vê uma saída do fundo do poço.
Essa amargura acaba gerando uma espiral de eventos, que ele se amarra cada vez mais, e vai passando essa infelicidade adiante, como se fosse contagiosa, já que ela encontra mais pessoas desse tipo ao seu redor.

“A tecnologia mais uma vez se ocupou da tarefa de moldar o mundo para longe do que é natural.”

E isso nos faz pensar sobre nossa vida. Quantas vezes nos deixamos levar por essa espiral de sentimentos ruins e nos deixamos ficar amargos também?
E temos tanta força ao acreditar que só podemos ser assim, que ver uma pessoa que enxerga a vida de outro ângulo chama atenção, porque soa estranho demais.
O que a menina fez para ser feliz é o que motiva Beto a buscar suas próprias respostas, o que nos leva ao nosso próprio questionamento sobre nossa vida.

“Você se sente humano, policial?”

Foi uma grande surpresa para mim encontrar um conto assim, com uma escrita fluida e tão gostosa, que terminei no mesmo dia.
A narrativa é em terceira pessoa, a revisão está bem legal e a diagramação está um espetáculo. Minha única ressalva quanto ao conto é que não curti muito o final aberto.
Apesar de ter sido satisfatório, preferia que tivesse dito “acontece assim e pronto”. Além disso, tinha umas pontas que ficaram soltas, que gostaria que tivessem sido melhor amarradinhas, talvez em mais algumas páginas teria resolvido o problema. A não ser isso, é um bom conto e gostei bastante da leitura.

 

 E essa foi a resenha de hoje. O que acharam? Curtem essa pegada mais distópica nas investigações? E finais abertos? Me contem aí!
Postado por:

Hanna de Paiva

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