26 de dezembro de 2019

Um vento à porta

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de mais um volume da série que começou com ‘Uma dobra no tempo‘, da autora Madeleine L’Engle. O livro da vez é ‘Um vento à porta‘, o segundo livro.

 

Um vento à porta
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

28/33

Livro: Um vento à porta

Autora: Madeleine L’Engle

Editora: Harper Collins Brasil

Páginas: 222

Ano: 2018 (original em 1962)

Skoob | Amazon


Charles Wallace está em perigo. E o mundo todo também.Quando a família Murry pensava que os problemas haviam terminado, um novo desafio surge. Charles Wallace agora tem seis anos de idade e na escola o menino se tornou um problema. Sofrendo bullying constante, Meg acha que o novo diretor da escola deveria ser responsável pelo menino, mas Charles Wallace fica terrivelmente doente antes que ela possa ajudá-lo.Mas há algo estranho acontecendo. Charles Wallace diz a Meg que há dragões no quintal de casa e ela descobre que os dragões na verdade são Proginoskes, querubins feitos de asas, vento e chamas. E mais uma vez este é só o começo de uma nova aventura, onde Meg e seu amigo Calvin precisam correr contra o tempo para salvar seu irmãozinho. E, para fazer isso, eles devem partir em uma viagem para dentro do corpo do menino e lutar para restaurar a brilhante harmonia do universo.Junte-se a Meg, Calvin e Charles Wallace nesta nova aventura repleta de seres incomuns, mundos novos e muitos heróis que precisam ultrapassar seus medos para salvar o mundo!

 

Um vento à porta

Se Meg achava que suas aventuras foram o bastante em ‘Uma dobra no tempo’, ela teve uma grande surpresa dessa vez. Como sempre, seus pais são dois cientistas completamente apaixonados pelo que fazem e vão bem fundo em suas pesquisas, para descobrir as coisas mais revolucionárias do mundo, até quando isso tem tudo a ver com sua própria família.

O Pai, o Sr. Murry, viajou ao redor do país, procurando respostas e participando de conferências, pois descobriu que várias estrelas no universo estão simplesmente desaparecendo. Sim, as estrelas nascem, se desenvolvem e morrem. Porém, em todos esses estágios, podemos mapear e até identificar os vestígios dos eventos no espaço. Mas dessa vez, as estrelas estão sumindo mesmo, sem deixar rastros.
Enquanto isso, em casa, a Sra. Murry está às voltas com seu microsonarscópio, buscando respostas para provar uma descoberta de algo até então impossível: as farândolas. Já foi provado que existe simbiose entre nossas células e as mitocôndrias, que em algum momento eram indivíduos independentes. No entanto, juntas, elas permitem que haja um maior sucesso na manutenção de ambos os organismos. Assim, todos nós, organismos eucariontes (seres cujas célular apresentam núcleo definido), temos mitocôndrias, que apresentam até um DNA próprio, mas fazem parte de nossas células. O que a Sra. Murry quer provar é que até as mitocôndrias tem simbiose com outros organismos até então desconhecidos, as farândolas. Pois, se não fossem as farândolas, nem as mitocôndrias existiriam!

“Um ser humano é um mundo inteiro para uma mitocôndria, assim como o planeta é para nós. Mas nós somos muito mais dependentes das mitocôndrias do que a Terra é dependente de nós. A Terra poderia se virar muito bem sem pessoas. Mas, caso acontecesse alguma coisa com as mitocôndrias, nós morreríamos.”

Ok, ok… Ambos os pais de Meg estão buscando respostas para coisas incríveis. Mas o que isso tem a ver com as aventuras de Meg? Bem… tudo! Para começo de conversa, as farândolas são as causadoras de uma doença chamada mitocondrite, que está atacando algumas pessoas, inclusive Charles Wallace, o irmão mais novo e mais apegado de Meg. Além disso, as farândolas de Charles Wallace estão em perigo, pois o evento que as atacam é causado pelo mesmo evento que ataca as estrelas no universo. Parece loucura? Nada faz sentido? Mas para Meg faz total sentido!
Quem está causando todo esse alvoroço são os Ectroi, seres conhecidos também como Anjos Caídos. Eles tem o poder de “Ex-ear” todas as coisas, derrubando todo o equilíbrio que existe no mundo. Assim, faz todo sentido que as farândolas de Charles Wallace tenham tudo a ver com as estrelas sumindo no universo.

 

Um vento à porta
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

E cabe a Meg e Calvin, o amigo feito em ‘Uma dobra no tempo’, salvarem as farândolas de Charles Wallace e as estrelas. Para isso, eles contarão com ajuda de um querubim, chamado Blajeni e um Professor, o Proginoskes, para os íntimos, Progo. Como Charles está doente, ele ficou de cama, enquanto sua mãe e a Dra. Louise Colubra cuidam dele. E Meg parte com Calvin e os querubins na aventura… dentro das mitocôndrias de Charles Wallace!

Eu já havia lido Uma dobra no tempo e confesso que gostei bastante. Apesar de ter uns furos na história e as coisas se resolveram muito rápido, eu gostei porque sabia que era um livro voltado para o público infantil, então não criei expectativas a respeito. Com esse não foi diferente. Algumas coisas eu já esperava, como os furos na história e um “final feliz” mágico e sem explicação. Mas confesso que não me prendeu tanto quando o primeiro livro.

Eu já conhecia Meg como a menina de baixa autoestima, que continua nesse livro. Ele se sente muito feia, por não ter os cabelos ruivos, nem os olhos azuis da mãe. No entanto, herdou os vastos cabelo cacheados e cor de lama do pai, que ela acha horrível (sinceramente, eu gostaria de saber de onde surgiu essa ideia, já que na escola ninguém a menospreza por isso. Pelo contrário, ela é incrível em matemática).

Charles Wallace, agora em idade escolar, vai encarar o diretor que Meg enfrentava no ano anterior, o Sr. Jenkins. Sr. Jenkins é um cara que não fez esforço para correr atrás de seus sonhos. Achava que ter apenas o emprego que tem na cidadezinha bastava para ter uma vida pacata e não precisava de sonhos nem de felicidade. Por causa disso, qualquer coisa que o tire dessa zona de conforto ele abomina. Imagina então ter Charles Wallace no segundo ano do Fundamental I, falando da Teoria da Evolução, mitocôndrias e farândolas, numa turma onde os alunos ainda estão aprendendo a ler?!

 

 

Um vento à porta
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

Claro que ninguém o leva a sério, e o menino ainda me sofre bullying na escola. O que me deixa mais aflita é que a mãe dele não faz nada, além de procurar pelas farândolas. Tudo bem que isso é um caso extraordinário, mas ela tem um filho que é um gênio e sofre maus tratos na escola… e não faz NADA! 😱 Num livro infantil ainda por cima, isso me incomodou muito, muito mesmo!

Os gêmeos, caçulas da família Murry, agora tem um mascote, uma cobra que apareceu no muro do quintal. Ela se chama Louise, em homenagem à Dra. Louise Colubra, amiga da Sra. Murry. E a homenagem não é porque a médica é má, nem nada do tipo, mas porque “cobra” vem do Latim “Colubra”, então nada mais justo do que batizar a cobra com seu nome em Latim. Não vejo onde mais teriam crianças inteligentes e criativas para dar um nome desses à cobra do quintal, que eles adotaram!
Leia também: Uma dobra no tempo 

Mas, não achem que a cobra Louise é um mero coadjuvante. Na real, é por causa dela que Meg e Calvin entram nessa aventura, afinal é quem dá passagem para os querubins se aproximarem. Ao contrário das ajudantes atrapalhadas e engraçadas do primeiro livro, aqui Progo e Blajeni são bem sérios e até rígidos demais com as crianças. Achei isso um pouco maçante no decorrer da leitura.     

Gostei bastante de uma pequena introdução por Charles Wallace sobre um tema complexo, como a Evolução, para crianças. E isso a autora soube colocar com maestria, de uma forma lúdica e bem legal até. O livro ganhou alguns pontinhos aí. Mas perdeu na explicação sobre o que os Ectroi são capazes de fazer. Eu mesma, como adulta, me perdi várias vezes na explicação, que se tornou até repetitiva e chata. Imagina uma criança lendo isso, gente? 

No geral, o livro traz essa pegada da aventura pela ficção científica para crianças, que achei maneira, mas muita coisa ficou sem explicação, para variar. Eu relevei, por já saber que era para um público mais novo, mas explicar o final de alguns personagens não custava nada (rsrsrs). O que me deixou curiosa também foi que Meg está crescendo e conhecendo certos sentimentos, que provavelmente serão melhor abordados no terceiro volume, ‘Um planeta em seu giro veloz’. Aguardemos os próximos capítulos dessa série. 💓 

Um vento à porta
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

   

O livro tem uma edição maravilhosa. Assim como no primeiro, a capa traz uma ilustração simples e linda, imitando as estrelas no céu. Tem um jogo de cores também que ficou muito lindo, jogado do alaranjado, como se fosse o nascer do sol, que combinou super bem. Além disso, a capa é dura, feita em papel couché 150g/m² e as páginas são impressas em papel avena 80g/m². A fonte é bem limpa e legível e a revisão está impecável. O que achei bem legal foi que todos os capítulos começam em página ímpar, mas para que a página par não fique em branco totalmente, a editora teve uma grande sacada e colocou um fundo preto, com estrelas. Então estamos sempre olhando para o céu. 😍 

Outra coisa que curti foi que, logo na contra capa, temos um fundo rosa com constelações. Mas se olharmos com atenção, vemos que as “constelações” são na verdade os personagens principais de nossa história: Meg, Charles Wallace, Calvin e quem os ajuda na missão. 

Um vento à porta
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

Apesar de deixar alguns furos, o que mais gosto nessa série é o dom que a autora teve de lidar com temas tão complicados para adultos, de uma forma palatável para crianças. Além disso, apesar de ter uns pontos que me incomodaram, como o lance do bullying, ao seu modo, a família Murry é unida.

E Meg tem um amor tão grande por seu irmão, que é nítido na aventura o quanto ela sente pelo pequeno doente. É uma relação muito linda de amor e cumplicidade a de Meg com Charles Wallace e, sinceramente, é por causa dessa relação, que está amadurecendo e tornando-os mais unidos, que continuo lendo esses livros. 
   

Apesar dos furos e tudo mais, darei quatro estrelinhas ao livro. E super indico o livro, ainda mais para crianças serem apresentadas à ficção científica. 




 

Já leram esses livros? O que acharam dele?

Postado por:

Hanna de Paiva

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