11 de May de 2021

Wayne de Gotham | Tracy Hickman

    Olá meu povo, como estamos? Hoje temos a resenha de Wayne de Gotham, minha leitura mais recente, que terminei nesse final de semana. 
Wayne de Gotham | Tracy Hickman
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

22/24
Livro: Wayne de Gotham
Autor: Tracy Hickman
Editora: Leya (Omelete)
Ano: 2012
Páginas: 270
Skoob | Amazon


Por trás de toda máscara existe um homem de verdade. Ainda criança, Bruce Wayne testemunha o assassinato dos pais – e o mistério sobre o motivo o impulsiona a fazer uma busca pelo seu passado. É quando descobre um diário secreto de seu pai Thomas, um médico rebelde que parece finalmente revelar o seu lado obscuro. Sua identidade é seriamente abalada quando um convidado levanta, inesperadamente, questões sobre o evento que acabou com a vida de sua amada mãe e seu admirável pai – caso que provocou para sempre sua vontade insaciável de proteção e vingança. Para descobrir a história real da família, Batman precisa confrontar o antigo inimigo, como o perverso Coringa, seu próprio mordomo Alfred, além do passado que assombra o Asilo Arkham, para assumir o novo fardo de um legado sombrio. Muito mais próximo dos filmes de Burton e Christopher Nolan e das HQs de Frank Miller do que dos seriados de TV dos anos 1960. Um olhar imaginativo sobre o lado humano do icônico super-herói criado por Bob Kane. TRACY R. HICKMAN é um autor mais conhecido por seu trabalho com Margaret Weis em “Dragonlance”. Também escreveu a trilogia Darksword, o Death Gate Cycle, e a trilogia Sovereign Stone e atuou como designer de RPG’s para a TSR, Inc.


   

Wayne de Gotham | Tracy Hickman


   Gotham City nunca mais foi a mesma depois que o Batman chegou para aplicar sua justiça aos criminosos mais perigosos e implacáveis que o mundo já teve notícias. 
   A cidade é terra não apenas de mafiosos, mas também da família Wayne, que sempre teve um poder sobre a cidade, seja por dinheiro (já que são praticamente donos de tudo o que existe nela), respeito e até medo do que essa família é capaz de fazer. 
  Não há quem não conheça as gerações de Wayne que comandaram a cidade e estamparam várias matérias do jornal local. 
  Atualmente, a família é representada apenas pelo herdeiro Bruce Wayne, que perdeu seus pais ainda criança, vítimas de um assalto violento na saída do cinema. 
  Muitos o conhecem como o solteirão rico mais cobiçado da cidade e do país praticamente. Sempre aparecendo em eventos chiques com mulheres bonitonas e famosas ao seu lado, mas sem se envolver seriamente com nenhuma delas.  
  Mas o que muitas pessoas não sabem é que, quando Bruce Wayne não está bancando o papel de playboy desocupado durante o dia, ele é o Batman que “limpa” a cidade durante a noite, investigando e combatendo o crime com as armas mais tecnológicas que estão à sua disposição. 
  Em meio a uma dessas investigações, Batman acaba esbarrando em casos do passado de sua família, com segredos capazes de mudar completamente o que ele pensava sobre seus pais, os grandes heróis de Gotham City. 
  Eu já sabia desse livro tem um tempo, mas nunca tinha me interessado em ler, mesmo sendo fã do Homem-Morcego. 
 Conheço muita coisa da história dele por causa de quadrinhos, filmes e episódios de desenho animado que passava na TV, mas nunca me via lendo um livro sobre ele. 
 Até o dia que conheci a série Lendas da DC, da Arqueiro, com adaptações de alguns personagens da Liga da Justiça, e gostei bastante da experiência. 
 Já Wayne de Gotham veio de uma duologia bem anterior, publicada no Brasil pela Leya, que conta também com o livro Os últimos dias de Kripton, que conta um pouco do universo de Superman. 
 Como é uma proposta diferente, o autor seguiu um caminho já um tanto conhecido pelo público, já que Tracy Hickman nos mostra um homem feito e até mais maduro, já conhecido por todos por vários nomes que o jornal cria: Batman, Cavaleiro das Trevas e Cruzado Encapuzado. 
  Mas uma coisa é certa, não importa qual versão vemos de Bruce Wayne: jovem, velho, já conhecido como anti-herói ou não, ele sempre, sempre, sempre vê seus pais como super amorosos, carinhosos e que não apenas o amavam, como também se amavam e amavam o povo. 
 Não apenas isso, vemos tanta gente, inclusive o próprio Alfred, seu mordomo há tantos anos, que desenha os pais de Bruce como heróis da Humanidade, que é praticamente impossível pensar neles de outra maneira. 
Wayne de Gotham | Tracy Hickman
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  A ideia de pessoas boas que Bruce carrega consigo é tamanha, que só falta colocar os pais em um pedestal e não deixar ninguém encostar o dedo. 
  Mas Bruce começa a se questionar sobre isso quando segredos de seus pais vazam e chegam ao seu conhecimento. Até que ponto a perfeição dos seus pais ia? 
 

“Talvez eu seja um homem em busca de uma visão.”

  Eu nunca tinha lido as obras desse autor. Aliás, acho que esse é um dos poucos trabalhos dele sozinho.  
  O autor quis mostrar um pouco das gerações Wayne, intercalando o passado de Thomas, ainda jovem e estudando medicina, com o presente, contando as investigações de Bruce, já como Batman.
  Apesar de ter uma escrita bem fluida, o que ajudou a ler mais rápido, a trama em si demorou a me conquistar. 
  Falar de Batman é sinônimo de ter muito “tiro, porrada e bomba” e esquemas de politicagem, não dá tempo para outra coisa. 
  Mas logo no começo fiquei incomodada com algumas cenas detalhadas até demais, e acabei me perdendo no que estava de fato acontecendo ali. 
  Narrada em terceira pessoa, a leitura permaneceu lenta por um bom tempo, o que me decepcionou em um dado momento. 
  Mas eu ainda não tinha perdido a esperança, já que um livro com Batman não pode ser parado o tempo inteiro. 
  Felizmente, parece que o autor se ligou e acabou acertando as medidas da receita, o que salvou a leitura depois. 
  A ideia de intercalar as ações de Thomas e de Bruce não é nova em literatura, mas foi uma ideia acertada, já que assim vemos como cada um pensava em cada época, sem ser de forma enviesada. 
  Bruce sempre via o pai como um homem amoroso e gentil, que só queria ajudar as pessoas, sem esperar nada em troca.  
  Mas Thomas apenas pensou como muitos pais pensam hoje em dia, ele queria dar ao filho o que ele não teve quando criança. 
  Criado um lar tóxico e com pais que só sabiam diminuir sua autoestima, Thomas só queria ser livre, custasse o que custasse.
  Patrick Wayne não passava de um cara ambicioso, egoísta e que se importava o tempo todo com o que a sociedade pensava. 
Wayne de Gotham | Tracy Hickman
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

  A pressão que ele fazia sobre o filho para que “ele não fosse um maricas” foi tanta, que fez de Thomas um cara sem personalidade própria, que seguia o que todo mundo dizia que era bom para ele e corria atrás de toda migalha de atenção que conseguia. 
  O curso de medicina foi uma atitude inesperada para todos na mansão, especialmente para o próprio Thomas, já que foi uma das poucas vezes em que ele pensou por vontade própria. 
  Patrick no começo achou que era uma afronta, já que ele não estaria nas empresas Wayne, mas como ele não dá ponto sem nó, deu um jeito de manter Thomas na rédea curta, tendo que obedecê-lo de alguma forma, se quisesse ser um médico de verdade. 
“Só há dois tipos de pessoas neste mundo: os caçadores e os caçados, e é bom você dicidir imediatamente que irá caçar!”
  Eu não conhecia essa faceta de Thomas Wayne. Sempre o via como o próprio Bruce via, um pai presente, gentil e amoroso. Jamais pensaria nele como alguém com um passado assim tão sofrido. 
  Na verdade, acho que Thomas acabou ficando mais como uma espécie de ator da própria vida, já que ele sabia que nunca seria normal, com o peso de ser um Wayne o impedindo isso. Mas tudo nessa vida tem limite. 
  Enquanto muitos viam o jovem de 1958 que baixava a cabeça para tudo que seu pai mandava, por dentro ele só queria paz, liberdade e uma vida de verdade, nem que para isso ele tivesse que tomar algumas atitudes nada bonitas. 
  E parece que pessoas desse tipo se reconhecem, já que Thomas acaba conhecendo alguns amigos que tem uma pressão semelhante em casa. Lewis Moxon é dono de uma boate de quinta categoria na parte mais sombria de Gotham. 
  Por fora, ele é um cara poderoso, filho de um dos mafiosos mais poderosos da cidade e faz o que quer. Mas no fundo, ele é bem parecido com Thomas Wayne. 
  Isso faz com eles fiquem cada vez mais amigos, o que leva Thomas a conhecer também Denholn Sinclair e Martha Kane. 
  Denholn Sinclair era o único “reles mortal” na turma, já que não tinha tantas posses. Mas Martha Kane era outra filhinha de papai e muito rica, vinda de outra dinastia que comandava Gotham na época. 
  Martha Kane, a mãe de Bruce, sempre retratada como uma socialite tão boazinha, que vivia fazendo eventos de caridade para arrecadar fundos para a Fundação Wayne. 
  Mas ninguém pensaria nela como uma filhinha de papai “rebelde sem causa”, mimada e mesquinha, que queria sempre o mundo girando em torno de seu umbigo. 
  Thomas era arriado o 4 pneus por ela desde o começo, e ela sabia disso, o que tornava mais fácil manipular o rapaz para fazer o que ela queria. Aliás, não apenas Thomas, mas qualquer outro rapaz que se aproximasse dela.
  Essas manipulações dela foram responsáveis por uma série de acontecimentos entre 1950-60, que marcaram profundamente Gotham City e ecoam até hoje pelos becos mais obscuros. 
  Some-se a isso, as amizades que Thomas Wayne fez foram responsáveis por muitas de suas ações, que também marcaram Gotham City por décadas. 
  

“As trevas são Gotham. Trevas são o meu mundo.”

  Aos poucos, vemos que os pais perfeitos de Bruce Wayne são nada perfeitos. Estavam era muito longe disso. 
 Vamos vendo que as atitudes deles na verdade eram uma forma remediar tantas coisas que fizeram quando mais novos. 
  E, nesse meio tempo, vemos Bruce Wayne, descobrindo de maneira meio torpe o que seus pais nunca quiseram que ele soubesse: que eles eram humanos e, como humanos, fizeram muitas coisas das quais não se orgulham. 
  Eu não esperava ler algo sobre os pais do Bruce que fosse tão sombrio assim, mas devo dizer que não estou surpresa. 
  Gotham City parece ser uma cidade sombria por si só. Todo mundo que mora ali tem um fantasma sombrio do passado que assombra gerações depois. 
  O próprio Bruce Wayne só se tornou o Batman por causa dos seus fantasmas sombrios do passado. Então não seria surpresa que seus pais também tivessem os seus. 
“Eu sou o guardião. E quem guarda o guardião?”
  A cada passo que Bruce dá em suas investigações, ele vai percebendo o tamanho do vespeiro que sua família tanto queria esconder dele. 
  Talvez para que ele fosse a geração que salvasse a família de alguma forma, mas parece que não deu muito certo, já que ele descobriu da pior forma possível. 
  Apesar de ser uma única investigação, o suspense aqui acaba se dividindo em dois, já que temos cenas do passado que precisaram terminar de uma maneira que amarrasse as pontas do que está acontecendo agora. 
  Gostei de saber mais sobre os pais de Bruce, que sempre me perguntei como era a vida deles antes, mas fiquei decepcionada porque o autor só se preocupou em dar foco para Thomas Wayne. Sei que os Wayne são os mais famosos, mas pouco se fala sobre as mulheres. 
  A passagem sobre a mãe do próprio Thomas foi tão rápida que nem deu muito efeito na trama. Acabou ficando mais na questão entre ele e o pai que, diga-se de passagem, parece ser tão asqueroso quanto vários inimigos do Batman, mesmo sem usar fantasia. 
  Martha é retratada como a menina mimada e manipuladora, mas ela mesma acabou sendo apagada por uma boa parte da história. Gostaria de saber mais sobre ela e sobre a família Kane que, afinal, também é parente do Bruce. 
  Além deles, temos personagens já conhecidos, como o Alfred, que dá um verdadeiro show como o mordomo/pai adotivo/parceiro/protetor “que manja dos paranauê”.  
  Ao vermos o passado de Thomas, conhecemos por tabela um pouco do pai de Alfred, o Jarvis. Jarvis, assim como Alfred, era uma espécie de 1001 utilidades para Thomas, o que ele descobre da maneira mais estranha que poderia descobrir. 
  Achei inusitado que o autor se empolgou tanto ao criar o universo dos Wayne, que o cruzou com Sherlock Holmes, ao citar os Irregulares de Baker Street como sendo um motivo para Jarvis e Alfred fazerem o que fazem. 
  Apesar de achar que eles são “os mordomos mais perfeitos” que já existiram, foi uma ideia meio forçada relacionar um clássico dos quadrinhos com um clássico da literatura mundial, que tinha N-A-D-A-A-V-E-R um com o outro! 
  Eu fiquei mais surpresa lendo essas coisas do que com a trama em si. Apesar de ser um tema que abarca vários casos de thriller com muito “tiro, porrada e bomba”, do jeito que eu gosto, escrever sobre um personagem tão icônico como o Batman requer cuidado até demais. 
  Dessa vez eu não fui tentando bolar resolução alguma, preferi ser surpreendida com a forma como tudo iria se resolver. 
  Apesar disso, não pude evitar ter sido feita de trouxa com o desfecho dessa história. Para falar a verdade, fiquei foi um pouco confusa com o desenrolar dela, isso sim. 
  Me pareceu que o autor queria fazer algo tão elaborado, que no final ele mesmo se enrolou e teve que remodelar umas coisas para fazer sentido, mas esqueceu de aparar algumas pontas soltas no meio do caminho.  
  Foi uma trama bem elaborada? Foi. Teve um final satisfatório? Teve. Mas ainda fiquei com aquela sensação de que poderia ter acontecido de outra forma, sabe?
  Com relação ao livro em si, eu gostei da capa. Traz o símbolo clássico do morcego amarelo, que contrastou muito bem com a capa preta e letras brancas. A revisão está bem feita, a fonte bem legível  e as páginas são amareladinhas, com gramatura de 70g/m². 
  Juntando isso tudo, foi uma boa leitura e terminei mais rápido do que pensei, mas não consigo dar a nota máxima para ela. 

 


   Quem quiser comprar o livro, ele está disponível através de nosso link de afiliado. Lembrando que, comprando através dele, você ajuda o Mundinho da Hanna a se manter, sem alterar em nada o valor final de sua compra. 😉
   Já tinham lido esse livro? Curtem adaptações literárias de histórias de games e HQ’s? Me contem aí!

 

 

Postado por:

Hanna de Paiva

Gostou? Leia esses outros:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

0 Comments

Classificação de resenhas

Péssimo
Ruim
Regular
Bom
Ótimo

anuncie aqui