19 de May de 2026

A Esposa e A Viúva | Christian White

Olá meu povo, como estamos? ‘A Esposa e A Viúva’ é a mais nova aposta da Editora Skull em suspenses australianos e hoje eu vim deixar meus dois centavos de opinião sobre a leitura. 

Livro: A Esposa e A Viúva 

Autoria: Christian White

Tradução: Otto Rubens

Editora: Skull 

Ano: 2026

Páginas: 302

País: Austrália

Formato: Digital (disponível no catálogo do Kindle Unlimited até o momento)

Nota: 4/5

O segundo thriller do premiado autor de Um lugar Selvagem, Christian White.

Ambientado em uma misteriosa cidade insular no auge do inverno, A Esposa e a Viúva é um thriller perturbador narrado a partir de duas perspectivas: Kate, uma viúva cuja dor é agravada pelo que descobre sobre a vida secreta de seu falecido marido; e Abby, uma moradora da ilha cujo mundo vira de cabeça para baixo quando ela é forçada a confrontar as evidências da culpa de seu marido. Mas nada nesta ilha é exatamente o que parece, e somente quando essas mulheres se unem é que elas podem descobrir toda a história sobre os homens em suas vidas.

Brilhante e envolvente, A Esposa e a Viúva leva você à beira de um precipício e levanta a questão: o quanto realmente conhecemos as pessoas que amamos? 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

A remota ilha de Belport fica no litoral da Austrália e costuma ser bastante procurada durante as férias de verão. Talvez por isso tenha muitas casas de praia que ficam vazias ao longo do ano, deixando poucos moradores locais. 

É onde conhecemos Abby, uma das moradoras da ilha, que tinha uma rotina tranquila e até monótona com seu marido e filhos. Contudo, quando um corpo é encontrado na praia, a moça vê seu mundo virar de cabeça para baixo. 

Enquanto isso, no continente, Kate está esperando seu marido retornar de um congresso em Londres. Porém ele desapareceu e nunca retornou para casa. Conforme a moça faz suas investigações, percebe que tudo leva até a ilha de Belport. O que seu marido estaria fazendo tão longe de onde dizia estar?  

Ao chegar na ilha, Kate precisa se preparar para a verdade: John (o marido) está morto e a polícia ainda não sabe quem é o assassino. Vendo que a polícia está longe de descobrir o que aconteceu, a recém-viúva parte numa busca incessante para saber quem realmente era o homem com quem foi casada há tantos anos. 

“Tentamos proteger as pessoas que amamos de certas verdades — ele disse. — Mas não tenho certeza de que isso seja sempre certo ou justo. Se nós não falarmos sobre os monstros deste mundo, não estaremos prontos quando eles saltarem de debaixo da cama.”

Esse livro mal foi lançado aqui no Brasil e eu já estava ansiosa para ler. A sinopse me chamou atenção por se passar em uma ilha no meio do nada, perfeita para guardar segredos profundos e perturbadores. E não estava enganada. 

A narrativa é em terceira pessoa, porém gira em torno das protagonistas, de forma alternada. Abby é a esposa de Ray. O casal sempre viveu em Belport, com uma rotina tão pacata e sem grandes repercussões quanto a própria ilha. Ela trabalha esporadicamente no mercado Buy & Bye, enquanto ele tem uma empresa de zeladoria, responsável por cuidar das casas de veraneio que ficam vazias ao longo do ano. 

E seguiriam assim por muitos anos, não fosse a reviravolta que abalou a população local. Quando um corpo é encontrado na beira da praia, muitos são os suspeitos. Afinal, o homem era do continente e qualquer um poderia ser o culpado. 

E Abby percebe que também pode estar incluída nessa lista, pois nesse mesmo momento descobre uns segredos que jamais imaginou serem possíveis sobre Ray. A dúvida sobre a real índole do marido permanece a cada segundo, deixando a relação deles cada vez mais instável. 

Já no continente, Kate é uma esposa amorosa e tem orgulho de John, por ser um médico que trabalha em uma clínica bem cara e rende um padrão de vida elevado para eles. Especializado em cuidados paliativos, o rapaz viajou para um congresso em Londres, do qual deveria retornar no final da semana. Porém, Kate não tem mais notícias de John e nem a polícia parece interessada em investigar, pois tudo parece ser um caso de abandono do lar. 

“Registrar um boletim de ocorrência de pessoa desaparecida, ela estava aprendendo rapidamente que não era muito diferente de pedir um empréstimo ou fazer uma entrevista de emprego: havia dezenas de perguntas e cada uma a fazia se sentir mais ignorante e ingênua.”

A moça não acredita nisso. Afinal, se eles estivessem com problemas no casamento, ela saberia, não? Assim, parte em uma investigação própria, tentando refazer os caminhos do marido até o dia do desaparecimento. 

As pesquisas levam até a ilha de Belport, onde eles tinham uma casa de veraneio (e bem longe de onde John alegava estar). Não bastasse isso, John é o corpo encontrado na praia. Por que ele mentiu para Kate e viajou para a ilha sozinho? E quem teria sido o responsável por sua morte? 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

É o que a polícia local está tentando descobrir. Recém-viúva, Kate decide ficar na ilha até a conclusão do caso. Quem sabe assim ela tem um fechamento do que realmente aconteceu com seu marido.

No entanto, quanto mais ela fica por lá, mais percebe que nunca conheceu seu marido como imaginava que conhecia. Quem realmente era John Keddie? E será que ela vai ficar bem após descobrir? 

Com capítulos curtos e uma escrita fluida, não foi difícil me ambientar nos cenários paradisíacos de Belport. Além disso, vendo os fatos pelo ponto de vista das mulheres, estava tentando entender como se sentiam conforme descobriram suas próprias verdades sobre os respectivos maridos.

Embora as duas fossem detetives amadoras, achei que Abby era mais esperta e ativa na busca por pistas. Nada passava batido e ela tinha mais pulso para arcar com as consequências. Entretanto, achei as explicações que justificaram as atitudes de Ray fantasiosas para o que vinha sendo apresentado. 

Já Kate me pareceu mais devagar. Tentei relevar, pelo fato de estar lidando com o luto recente, mas me dava agonia ver que ela tinha as pistas na mão e ficava que nem um cachorrinho correndo atrás do rabo, sem saber qual o próximo passo. Apesar de achar as  justificativas de John mais críveis, queria que Kate não se deixasse levar tanto pelas opiniões alheias e defendesse mais o seu ponto de vista. 

Em relação aos maridos, a verdade é que nenhum dos dois presta. Tive ranço dos dois a cada vez que conhecíamos mais suas atitudes. No entanto, se tiver que escolher algum para defender, eu ficaria do lado do John, que ao menos me pareceu mais consciente do que estava fazendo, e buscando redenção. Já Ray só me pareceu um babaca que achava que podia tapar o sol com a peneira. 

“Ela estava carregando uma granada emocional viva o dia todo, e se não puxasse o pino e jogasse logo, poderia explodir nas mãos dela.”

Como opinião geral, os dois casais se merecem. E isso fica mais latente quando as respostas começam a ser dadas.

Eu estava estranhando que o mistério principal tinha chegado em 80% e parecia bem longe de ser resolvido. No entanto, quando entendi o motivo (e estava na minha cara o tempo todo, só que não notei), minha mente explodiu e eu não descansei enquanto não terminei a leitura. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

O desfecho amarra as pontas, porém é aceitável até a página dois. Acho que seria mais satisfatório se tivesse sido mais fechado e tivesse um epílogo. Mas ainda assim, acho que é uma ótima opção se procura um título que saia do mais comum no mercado. 

Falando sobre o livro em si, eu li em versão digital e posso comentar que gostei da capa, que é bem objetiva, já mostrando o que iremos encontrar. A diagramação está de parabéns.

No entanto, encontrei muitas falhas na revisão. A tradução do inglês foi feita muito ao pé da letra, e o resultado foi que encontrei muitas palavras fora de contexto, que atrapalharam o andamento da leitura. 

Agora me conta nos comentários: já tinha lido esse ou algum outro livro do autor? 

Postado por:

Hanna de Paiva

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