14 de July de 2026

A Governanta | Samantha Hayes

Olá meu povo, como estamos? ‘A Governanta’ foi lançado no Brasil no final do ano passado (2025) e já chegou rendendo muitos elogios dos leitores. Mas até então, eu não tinha me aventurado na leitura. Agora finalmente tive essa chance e trouxe minhas impressões para compartilhar com vocês. 

Livro: A Governanta 

Autoria: Samantha Hayes

Tradução: Jacqueline Damásio Valpasso

Editora: Jangada

Ano: 2025

Páginas: 388

País: Inglaterra

Formato: Digital (disponível no catálogo do Kindle Unlimited até o momento)

Nota: 4/5

Ela parecia ser a solução, mas tornou-se o pesadelo.

Após um incêndio, tudo o que Gina e sua família desejam é paz na casa temporária onde se abrigam. A chegada de Mary, a governanta, parece ser a ajuda perfeita. Eficiente e educada, ela logo se torna indispensável, mas sua presença constante se mostra inquietante.

Mary sabe mais sobre o passado de Gina do que deveria, aproxima-se de seu marido e exerce uma estranha influência sobre os filhos do casal. Quando os segredos que Gina esconde há mais de vinte anos vêm à tona, ela percebe que a governanta não está ali por acaso e que sua família corre um perigo que ela nunca imaginou.

Um suspense doméstico, com uma reviravolta de tirar o fôlego, perfeito para os fãs de A paciente silenciosa, A Garota no Trem ou A Empregada. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Gina está passando por maus bocados. Sua casa pegou fogo recentemente e eles perderam boa parte dos bens. Sem ter o que fazer até o seguro liberar o resultado da vistoria do que sobrou, ela precisa arrumar um lugar para ficar. 

Assim, ela e a família se mudam para a casa de uma antiga amiga, até que tudo se resolva. Contudo, mal chegam na casa e conhecem Mary, a governanta da propriedade. Uma mulher linda, eficiente e atenciosa (até demais), que Gina logo desconfia estar entrando numa enrascada. 

Mas talvez agora seja tarde demais para sair daquela casa. 

“A verdade é que, àquela altura, eu não sabia se estava viva ou morta.”

‘A Governanta’ estava no meu radar desde que a editora anunciou o lançamento aqui no Brasil. Embora a campanha não tenha sido muito forte, os poucos comentários que vi sobre a obra eram positivos e me deixaram mais curiosa.

Fiquei feliz quando vi que está disponível em diversos catálogos (Kindle Unlimited, MEC Livros e BibliON). Assim, é bem fácil ter acesso ao livro, mesmo se o preço dele não estiver dentro do orçamento. 

Eu peguei o meu emprestado no Kindle Unlimited e, logo que comecei a leitura, entendi o motivo dos elogios que vi nas redes sociais. A autora tem um estilo que conquista o leitor logo de cara. Com a estrutura já comum aos thrillers de entretenimento, a escrita é fluida e os capítulos curtos, sempre com um gancho no final. 

Dessa forma, é fácil de embarcar na história e devorar a trama em poucos dias. A narrativa em primeira pessoa também nos deixa mais imersos, já que vemos os fatos pelo ponto de vista das pessoas mais interessadas nos acontecimentos. 

Alternando entre Gina e Mary, vamos conhecendo um poucos mais da personalidade das duas, além de juntar as migalhas de informações que elas deixam pelo caminho, a fim de montar nossas próprias teorias. 

Gina é uma dona de casa que adora sua rotina pacata. Mãe de dois filhos pequenos e casada com o seu grande amor dos tempos da escola, a moça estava vivendo seu conto de fadas da vida real, até que um incêndio estragou tudo.  

Embora aliviada por ninguém ter se ferido, a moça está triste por ter visto tudo pelo qual lutou ir embora em meio às chamas. Mas agora não tem muito o que fazer, enquanto o seguro não fizer a avaliação dos estragos na casa. Assim, ela precisa de um teto provisório. 

E ele veio em boa hora, com a oferta inesperada de Annie, a amiga dos tempos de escola de Gina. A protagonista não tem muito o que fazer, já que pagar as diárias de um hotel levaria um bocado do seu orçamento. O problema seria só convencer Mat (o marido) a aceitar. E quando ele entra em cena, entendemos o porquê. 

Mat é aquele típico marido orgulhoso. Como único provedor da casa, é responsável por tudo que diz respeito à sua família, incluindo a segurança de todos. E ver a casa ardendo em chamas não constava nessa lista. Embora também aliviado por todos estarem a salvo, é nítido como esse evento queimou também o seu orgulho de bom marido e pai presente. 

“Olhando para trás, tudo parece tão volátil… foram apenas algumas semanas de nossas vidas, mas custou a vida inteira de uma de nós.”

E seu orgulho é ferido mais uma vez ao ver que nem ele foi capaz de arrumar um lar provisório, já que Annie se adiantou e ofereceu um teto. Por mais argumentos que arrumasse, ele acaba engolindo todos e arruma o que restou das malas para se mudar junto da esposa. 

No entanto, antes tivessem gastado um pouco mais e tivessem ido para um hotel. Pois mal chegaram na casa de Annie e as coisas começaram a desandar. 

Primeiro porque o endereço da casa de Annie vai parar numa mansão caríssima e tão cheia de tecnologia, que intimida qualquer pessoa. Não bastasse estar em um local que não é deles, o casal precisa lidar com diversas memórias que voltam à tona de uma vez, já que a casa da amiga de Gina fica no bairro em que todos cresceram (e do qual faziam questão de esquecer). 

Enquanto tentam lidar com os fantasmas do passado que insistem em revisitá-los a todo momento, Gina precisa também lidar com a presença constante de Mary, que se diz governanta da casa. 

Mary é uma mulher linda, jovem, bastante organizada e eficiente. O que seria de grande ajuda para Gina, ainda mais com dois filhos pequenos e bagunceiros. Contudo, a presença de Mary no recinto sempre deixa a protagonista com um frio inexplicável na espinha. 

A governanta, por sua vez, parece sempre saber o que sua patroa provisória precisa, antes mesmo que diga. Mas como ela sabe de tantas coisas permanece um grande mistério. Especialmente por saber de tantas coisas do passado de Gina e Mat, o que deixa as coisas ainda mais estranhas e assustadoras. 

“Estremeço, consciente de que esse é o papel que devo desempenhar agora: a governanta obediente, a faxineira leal, a auxiliar sempre prestativa.”

Ao longo dos capítulos, vamos tendo o ponto de vista de cada uma lidando com a mesma cena. Talvez por isso, muitos capítulos parecem repetidos, porém o que muda entre eles é a narradora. 

Gina pode ser uma pessoa gentil, mãe zelosa e bondosa. Mas tem traumas do passado que ainda a assombram. Não demora até que seja acometida a crises de ansiedade constantes, que a fazem criar cenários que não sabemos mais o que é realidade ou ilusão de sua mente perturbada.  

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Mat, por sua vez, é um pai incrível e super presente, mas estar naquela casa faz com que ele se transforme da água para o vinho. No entanto, ele consegue disfarçar muito bem só até certo ponto.

Aos poucos, percebemos o quanto todos nesse elenco tinha segredos debaixo do tapete, os quais não vão conseguir ficar escondidos por muito tempo. Especialmente quando Mary entra em cena e sabe exatamente aonde cutucar para criar um clima de tensão mais palpável. 

O que deixa a curiosidade maior a respeito de sua presença na casa. Quem ela é e porque parece satisfeita em mexer com a mente dos seus patrões temporários? 

Conforme as páginas passam, e sabemos também fatos do passado, fui criando minhas próprias teorias e bancando a detetive. Acertei uma parte e falhei miseravelmente na outra. Porém, mesmo na que acertei, jamais imaginei que a explicação iria me surpreender tanto. 

A autora conseguiu colocar temas muito pesados em tantas camadas, que embora seja desconfortável, não deixou a leitura difícil. Muito pelo contrário. Precisei parar algumas vezes para respirar e processar o que estava acontecendo, mas logo voltava, para saber se os personagens teriam o que mereciam. 

“E, no fim da noite, nosso mantra GALS de grande amor, amigas verdadeiras, sem segredos, de alguma forma, se transformou em um nó doentio de ódio, traição e mentiras.”

Aqui não temos personagens 100% mocinhos ou vilões. Na verdade, todos são bem humanos, com decisões bem humanas e necessitam de boas sessões com um psiquiatra. Talvez esse seja o real terror do livro, mostrar o quanto existem pessoas desse jeito no mundo e muitas vezes nem sabemos. 

O desfecho do livro foi satisfatório. Amarrou muitas pontas e procurou dar um destino aos personagens principais. Ainda acho que os destinos de alguns ainda foram pouco diante das atitudes que tomaram. No entanto, acho que a autora quis finalizar o livro mostrando o quanto nem sempre a realidade é certinha como nos livros. O que me deu um tapa na cara. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Mesmo assim, achei que algumas respostas ficaram faltando pelo meio do caminho. Por isso não vai levar nota máxima. Mas ainda é um livro que gostei bastante e recomendo a leitura. 

Falando sobre o livro em si, gostei da capa dele, simples e objetiva. O mesmo posso falar sobre a diagramação. A revisão é bem feita e rendeu uma boa experiência de leitura. 

Em resumo, ‘A Governanta’ é uma ótima opção de leitura rápida e frenética, que caberia perfeitamente em um filme. No entanto, é uma leitura que requer atenção e estômago forte para algumas cenas, que podem causar desconforto. 

Agora me conta nos comentários se já leu esse livro, ou algum outro da autora? 

Postado por:

Hanna de Paiva

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