Olá meu povo, como estamos? Freida McFadden não para de lançar livros aqui no Brasil. Quando estamos nos acostumando com a imensa lista já publicada, temos a notícia de mais um volume marcando presença. Assim foi com o anúncio de ‘A Intrusa’, que veio prometendo muitas emoções.
ALERTA: Pode conter gatilhos de maus tratos infantis e acumuladores
Livro: A Intrusa
Autoria: Freida McFadden
Tradução: Irinêo Baptista Netto
Editora: Record
Ano: 2025
Páginas: 322
País: Estados Unidos
Formato: Impresso
Nota: 5/5
Casey vive isolada em uma casa no meio do mato. O vizinho mais próximo mora a quase um quilômetro de distância, então, quando uma tempestade desaba, ela está sozinha. Ou deveria estar — ela pode jurar ter visto um rosto na janela.
Através da chuva, ela vê uma luz acesa no depósito no quintal. O problema? Lá não tem eletricidade. Casey então toma uma decisão que vai mudar o rumo de sua noite, talvez até de sua vida: sai no meio do temporal para descobrir o que — ou quem — está à espreita.
A intrusa é uma menina. Coberta de sangue e segurando um canivete na mão direita, ela parece ter saído de um filme de terror. E quando Casey, contra todo e qualquer bom senso, decide convidar essa estranha para entrar em sua casa, a mulher não sabe no que está se metendo.
As duas guardam um segredo. E uma delas está disposta a matar para que ele não seja revelado.

Casey é uma moça que vive isolada no meio do mato. Sem redes sociais, celulares, internet e vizinhos chatos, ela tem a paz que muitos almejam. Porém seus momentos de conforto e gratidão não estão indo muito bem, já que ela vai receber uma visita para lá de inusitada.
Quando uma forte tempestade cai na região em que a moça mora, muitas coisas começaram a acontecer. Especialmente a chegada de uma pré-adolescente que parece perdida. Casey tem bom coração e acolhe a menina dentro da cabana em que mora.
Contudo, o arrependimento bate logo em seguida, quando percebe que sua visitante está coberta de sangue e não tem ninguém à sua procura. Além disso, a tempestade levou embora a luz, sinal de telefone (ao menos o fixo Casey ainda teria) e o grande mistério sobre a origem da menina é bem sombrio.
De onde ela vem? Para onde vai? Será que Casey vai sobreviver até o fim da tempestade? Isso é o que iremos descobrir ao longo das páginas.
‘A Intrusa’ foi meu último recebido do ano enquanto parceira da Editora Record e eu estava muito ansiosa para ler, especialmente depois do marketing que fizeram em cima dele. Contudo, curiosamente eu quase não vi comentários sobre ele na internet (talvez ofuscado por conta de outros livros dela que saíram, além da notícia de adaptação de outros para telas).
Assim, foi bem fácil ler sem ter influência de hype e ter minha própria opinião. A narrativa mantém uma receita de bolo, trazendo dois pontos de vista diferentes, trazendo uma história não linear. Os fatos são contados em primeira pessoa pela própria Casey no presente, intercalados com a visão de Ella no passado.
Casey era professora de educação infantil, porém foi demitida há pouco tempo, após um escândalo do qual a escola não pode perdoar. Por isso, ela decide que uma boa forma de recomeçar é se isolar o máximo possível do mundo, voltando a métodos mais antigos.
Dessa forma, a moça se instala em uma cabana caindo aos pedaços, no meio do mato, sem sinal de internet, nem de celular. Seu meio de contato é por telefone fixo, ou chamando o único vizinho, que mora a quase um quilômetro de distância de sua casa nova.
Com bastante tempo disponível, Casey passa seus dias lendo e observando a natureza tranquilamente (#inveja). Porém, o alerta de tempestade não a deixa em paz. Isso porque o telhado da cabana está desgastado e a ventania pode derrubar o único teto que ela foi capaz de pagar.
“[…] Já aprendi muita coisa na vida, inclusive a diferença entre rochas sedimentares e ígneas, mas essa é a primeira coisa que tenho certeza de que vai ser muito útil.”
Não bastasse a tensão constante da tempestade, Casey vai ter a paz perturbada por uma intrusa que invade sua casa e não vai sair tão cedo. A visitante é uma jovem de 12-13 anos, que parece estar perdida e precisando de abrigo contra a fúria da natureza.
O coração mole da ex-professora acaba se compadecendo e acolhe a menina para dentro de casa. Porém, o arrependimento bate logo em seguida, quando Casey percebe que a desconhecida está toda coberta de sangue.
Observando com mais atenção, Casey percebe que o sangue não é da menina. Logo fica o mistério: como ela se sujou tanto desse jeito? E será que o dono do sangue está vivo?
A tensão cresce a cada segundo, conforme Casey tenta se aproximar da intrusa e ela se fecha em copas. A ex-professora então se vê em meio a uma situação perigosa. Afinal, quem garante que não foi sua visitante que causou aquilo e agora está em busca da próxima vítima? Além disso, será que isso tem a ver com a demissão de Casey no passado?
Enquanto pensamos em possíveis respostas, acompanhamos a jornada de Ella, uma aluna do ensino fundamental II. A jovem vive com uma mãe solteira, que faz de tudo para dar uma boa educação e para a filha. Isso inclui manter a geladeira cheia de comida, roupas sempre novas no guarda-roupa e itens que possam vir a ser úteis na vida da menina.
Porém, olhando mais de perto vemos que nem tudo são flores. Ella pode ser cercada de coisas boas na geladeira e no armário, mas vive com a barriga roncando e mal pode comprar o almoço. Sempre tem roupas novas, mas as suas vivem sujas e curiosamente nunca são reutilizadas (ou são até ficarem sujas demais para usar de novo).
Mesmo assim, Ella se esforça ao máximo na escola e sempre tira notas boas. Mas sempre é alvo de bullying e sua mãe ainda fala que a culpa é dela.
Enquanto isso, Casey lida com a personalidade volátil da sua visita inesperada, que parece ter tudo a ver com o que aconteceu com Ella. Será que elas são a mesma pessoa? Ou tudo não passa de pura coincidência?
Fiquei me perguntando isso o tempo inteiro, até por conta de vários pontos em comum na história que as duas jovens contavam. Não bastasse isso, tem o grande mistério por trás da demissão de Casey e o que a fez querer tanto se isolar do mundo.
“Nem preciso dizer que essa história não vai me ajudar a dormir hoje à noite.”
Acho que de todos os livros que já li da Freida até o momento, esse é o que mais trouxe carga dramática. Talvez por isso, tenha alertas de gatilho logo no início e algumas pessoas do Clube Lendo com Os Morcegos relataram desconforto com os temas abordados.

Além disso, os livros da autora sempre trazem desfechos mirabolantes e soluções até convenientes demais. Entretanto, percebi que eles estão diminuindo com o passar do tempo.
De todos os que li, ‘ A Intrusa’ trouxe um pouco mais de pé no chão e situações que valem a reflexão, mais do que o próprio suspense em si. Algo que rendeu pontos positivos para a trama e entrou para a lista dos favoritos.
Mas confesso que passei momentos de raiva com a protagonista mais velha. Para uma mulher que passou pelo tanto de coisa que nos conta ao longo da trama, achei Casey muito inocente e se deixava levar por tantas coisas, que se fosse no mundo real, ela teria morrido logo no começo.
A cada burrada dela, eu revirava os olhos e tinha vontade de entrar no livro para dar uns sacodes nela e mandar acordar logo para a vida.
“[…] E, quando fecho a porta atrás de nós, não consigo ignorar a sensação de que cometi um erro terrível ao deixá-la entrar.”
Em contrapartida, tive muita pena de Ella e só queria dar um abraço na menina, dizendo que ia ficar tudo bem. A relação que ela tinha com a mãe era saudável até a página dois. E ver o tanto de coisa que ela passava me dava agonia e desespero, imaginando quantas famílias reais passam pelo mesmo todos os dias e se sentem de mãos atadas.
Os personagens secundários, por sua vez, são bem desenvolvidos e trazem boas pistas do que teria acontecido realmente com Ella, Casey e a visitante desconhecida. Gostei de como a autora criou toda uma aura sombria em torno do elenco e amarrou bem as pontas. O resultado foi uma trama viciante, que eu não descansei enquanto não finalizei a leitura (em dois dias).

Em relação ao livro em si, achei a edição simples, porém bonita. A capa é uma das mais bonitas que já vi dos livros da autora, com elementos que remetem ao que encontraremos ao longo das páginas. Além disso, tem uma boa revisão, diagramação, somadas à escrita fluida e trama envolvente, que fazem a experiência de leitura mais rápida e imersiva.

Agora me conta: já leu esse livro, ou algum outro da autora?
Texto revisado por Hanna de Paiva.