Olá meu povo, como estamos? A resenha de hoje é especial, já que marca minha primeira presença em cabines de imprensa. Sejam bem vindos ao Caso 137.
Filme: Caso 137
Classificação: +16
Ano: 2026
Duração: 1h44min
País: França
Gênero: Suspense, Policial, Drama
Onde assistir: Cinema (Festival de Cannes 2025)
Stéphanie, uma policial da Corregedoria, é designada para um caso envolvendo um jovem gravemente ferido durante uma manifestação tensa e caótica em Paris. Embora não encontre evidências de violência policial irregular, o caso toma um rumo pessoal quando ela descobre que a vítima é de sua cidade natal.
Com esta premissa, “Caso 137” (“Dossier 137”), de Dominik Moll, chega aos cinemas brasileiros no dia 16 de abril de 2026. O thriller policial teve sua estreia mundial na competição principal do último Festival de Cannes, onde foi indicado à Palma de Ouro. No recente Prêmio César, considerado o Oscar francês, recebeu oito indicações, vencendo na categoria de melhor atriz para Léa Drucker (“Custódia”).

Paris foi tomada pelo caos em 2018, por conta de uma série de protestos envolvendo os sindicatos dos trabalhadores, que tomaram as ruas em busca de seus direitos. A polícia tentou conter os avanços da população, porém diversas coisas ficaram sem explicação, como o Caso 137.
Encarregada do caso, a inspetora da Corregedoria Stéphanie Bertrand vai buscar todos os detalhes possíveis para saber o que realmente aconteceu naquele dia. Quem sabe assim, ela levar justiça para a família de Guillaume Girard. Será que ela vai conseguir?
Este filme jamais passaria pelo meu radar, não fosse o convite que recebi para participar da cabine de imprensa. Eu não sou formada em cinema, muito menos sou crítica profissional. Sendo assim, deixarei aqui meus centavos de opinião enquanto espectadora somente.
Nunca assisti os filmes concorrentes ao Festival de Cannes, porém eu sei que eles são conhecidos por conta da estética fora do padrão e dos temas que aborda (muitos dos quais batem onde mais dói na sociedade). E aqui não seria diferente.
O que mais me chamou atenção nesse filme é que ele vai contra aqueles suspense cheios de ganchos e reviravoltas que estava acostumada a ver nos streamings e cinemas. Em Caso 137, vemos uma história mais parada e sem tanto contraste. Porém ainda é capaz de impactar quem assiste em sentidos completamente distintos.
A investigação é em terceira pessoa. Então temos um ponto de vista mais geral do que está acontecendo. Contudo, é focado mais na investigadora, que traz uma realidade parisiense totalmente fora do glamour que o país transmite em guias de viagem.

Stéphanie Bertrand não tem uma vida tão agitada. Seus dias são quase que totalmente preenchidos por trabalho e ela mal tem tempo de cuidar da família. Isso gera situações conflitantes com o ex-marido, que parece ter mais tempo que ela (mesmo que ambos sejam policiais).
Seus grandes debates são sobre trabalho, de modo especial porque ele continuou como detetive e ela subiu de posto, sendo chamada de “polícia da polícia”. Toda vez que a investigadora passa por um corredor, encontra olhares de desconfiança e incômodo.
Ninguém gosta da Corregedoria no pé deles, como se estivessem em constante avaliação. O que torna Stéphanie uma espécie de persona non grata, já que ela estava do outro lado da moeda até pouco tempo atrás. E, conforme o filme avança, vamos entendendo mais esses motivos de desagrado geral.
Stéphanie é uma pessoa que não tem a vida que sempre sonhou, mas tenta ser a melhor no que faz. Talvez por isso seus superiores achassem que ela estaria melhor corrigindo os erros dos colegas e garantindo que a polícia melhorasse de qualidade. E ela cumpre seu trabalho com maestria, fazendo investigações e levando justiça para quem merece, por meios legais.
Porém, ao começar a investigar o Caso 137, percebe que se meteu num verdadeiro ninho de vespas, que podem lhe derrubar a todo instante. E ver a forma como a detetive lida com a pressão que recebe da sociedade (e da própria família) foi o que mais me impressionou. A única pessoa que parece apoiar a investigadora nos caminhos que segue é o filho, com quem tenta manter uma relação saudável.
A interação dos dois é muito fofinha e mostra a realidade de muitas mães solo mundo afora. E aqui temos um tapa na cara da sociedade, especialmente a dos países de terceiro mundo. Como uma moradora do Brasil (e que nunca saiu do país), percebo que muitos tem um certo deslumbre com países do Velho Mundo, como se ele fosse a solução de muitos problemas.
Acho que essa ilusão se mantém por conta de tantos filmes e séries ambientados em locais históricos, em que as pessoas podem não ser ricas, porém vivem em boas casas, tem poder aquisitivo decente e um padrão de vida confortável.
Porém Caso 137 quebra esse paradigma e mostra uma realidade que poderia se enquadrar em muitos estados daqui do Brasil. Então temos pessoas pobres, que moram longe de tudo e talvez nunca tiveram a chance de conhecer seus próprios cartões-postais, por nunca terem dinheiro ou tempo para tal.

Além disso, um filme francês, feito por franceses, me mostrou o quanto eles não ligam tanto assim para a estética (o que vai no completo oposto da fama de capital da moda e glamour). Além disso, sempre que falamos sobre a França e a histórica Revolução Francesa (que foi um marco mundial em literatura, história e tantos direitos dos trabalhadores), imaginamos um país com mais esforço pela garantia dos direitos civis.
O que realmente eu vi, porém também observei que o lado mais poderoso não mudou nada em relação a outros países de primeiro mundo (ou mesmo de terceiro). Corrupção, desvios de verba e mentiras sempre vão margear as forças e a corda sempre vai arrebentar para o lado mais fraco. Quem tenta sair desse sistema, infelizmente sofre consequências por muito tempo.
Senti isso na pele vendo o desenrolar da investigação de Stéphanie. Quando eu pensava que tudo tomaria um rumo e seria resolvido, tinha alguém para puxar o tapete da detetive e falar que “as coisas não eram bem assim”. O tanto que eu queria atravessar para o outro lado da tela e dizer umas verdades para essas pessoas, não está no gibi.

Além disso, Stéphanie sofre uma pressão tão forte dentro da Corregedoria, vinda de todos os lados, que fiquei me perguntando se tudo aquilo teria acontecido caso o responsável pela investigação fosse um homem. Isso me gerou revolta, ranço e percebi que não importa o quanto um país se diga educado e desenvolvido, a sociedade sempre vai dar um jeito de estragar com todos os avanços que fizemos, mantendo alguns comportamentos e comentários nocivos, disfarçados de “minha opinião”.
Esse sentimento durou o filme inteiro, especialmente quando já tinha percebido o rumo que ele tomaria para o desfecho. Algumas coisas eram previsíveis, ainda mais quando o elenco secundário é apresentado. Porém eu gostei da jornada da Stéphanie em busca de redenção e justiça (embora ela mesma soubesse que seria uma luta perdida). O que me fez refletir sobre o que queremos do mundo e qual a real definição de justiça.
Caso 137 é um filme lento, sem grandes reviravoltas e praticamente não tem efeitos especiais. Não é um filme que vai te chamar atenção por cores vibrantes, nem por narrativas eletrizantes. Mas é uma história que vale a pena ser vista, para nos lembrarmos o quanto ainda somos falhos enquanto sociedade e precisamos aprender muito para sermos considerados de verdade “gente de bem”.

O filme estreou nos cinemas brasileiros no dia 16/04/2026, porém não está disponível em todas as redes. Estas são as cidades onde você pode conferir o longa: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Búzios (RJ), Caxias do Sul (RS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Londrina (PR), Niterói (RJ), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Santos (SP), São Paulo (SP) e Vitória (ES).
Caso consiga assistir ao filme, me conta depois o que achou e se temos uma opinião parecida ;).