1 de September de 2026

Ascensão | Bruno Crispim

Olá meu povo, como estamos? As leituras andaram meio devagar no mês de agosto, mas fiquei feliz em terminar uma leitura que muito me surpreendeu (e ainda é nacional). Então hoje vou deixar meus dois centavos de opinião sobre Ascensão, do Bruno Crispim. 

Livro: Ascensão

Autoria: Bruno Crispim

Editora: Urutau 

Ano: 2024

Páginas: 296

País: Brasil

Formato: Impresso

Nota: 4/5

Miguel é um médium desacreditado, prestes a ser despejado. Quando não espera por mais nada da vida, recebe uma missão: guiar o espírito de Darla Abranches, uma adolescente suicida, em sua ascensão.

Ele não quer aceitar. Não está a fim de ajudar ninguém. Nem vivo, nem morto. Só que é sempre fácil arrancar uns trocados da família de um defunto. Com sorte, em uma tarde, consegue descolar dinheiro para inteirar o aluguel.

Mas nada é simples na sua vida. Darla, além de uma criatura mimada e teimosa, não se lembra do seu último dia de vida. Ela não vai embora até provar que não se matou. Enquanto isso, está decidida a atormentar a vida do guia até o seu último dia sobre a terra.

Miguel, gostando ou não dessa investigação sem sentido, vai ajudar. E, no florescimento de uma amizade improvável, eles se jogam de cabeça na remota possibilidade de uma morte acidental.

Queiram os dois ou não, o prazo está correndo. Darla tem apenas cinco dias para ascender. Ou ficará presa para sempre. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Miguel é um médium, que tem o dom de ver pessoas que acabaram de morrer e precisam encontrar o caminho para a ascensão. No entanto, ser um bom guia não paga as contas e o rapaz está sempre no vermelho. 

Prestes a ser despejado do único muquifo que conseguiu alugar, surge a missão de guiar a alma de Darla, uma adolescente que se matou. O médium já se meteu em encrencas demais e não quer aceitar o trabalho. 

No entanto, a alma de Darla é tão mimada, teimosa e forte quanto ela era em vida. E a moça se recusa a ascender enquanto não provar seu ponto. Afinal, ela tem total certeza de que não se matou. E está disposta a fazer o que for preciso, nem que isso inclua atormentar Miguel até ele aceitar ajudá-la. 

O rapaz não vê muita saída e aceita a oferta. E agora essa dupla improvável vai precisar correr contra o tempo, pois Darla tem apenas cinco dias para ascender. Se ela perder o prazo, será um fantasma para sempre.  

Será que Darla realmente foi assassinada? E quem seria o responsável por isso? 

“Eu venci. 

Nós vencemos.

Mas porque a sensação é de que perdemos?”

Eu já conhecia a escrita do Bruno através de outro livro. Então já sabia de seu estilo fluido e ao mesmo tempo imersivo ao construir as histórias. No entanto, ainda não sabia como seria ler um suspense do autor. 

Em Ascensão, narrativa é primeira pessoa. Então vemos os fatos pelo ponto de vista de Miguel. Ele é um homem jovem, mas que já passou por tanta coisa, que parece ter envelhecido por estresse. 

Conforme vamos conhecendo mais a história dele, é fácil entender o porquê. Miguel passou por maus bocados quando mais novo, vivendo num lar tóxico e com certo fanatismo religioso. Logo, ter um dom como o do menino não era uma coisa bem vista em casa. 

O médium ainda sente muitas consequências do passado, que fazem com que ele mal pare em um emprego formal, que dirá o espiritual. Assim, a relação do rapaz com Darla não começa de forma promissora. 

Com um tom de humor sombrio, Miguel se mete em mais confusões do que seria humanamente possível, toda vez que a menina entra em cena. E a situação piora quando ele descobre que ela só tem cinco dias para se despedir da terra dos vivos. Especialmente porque Darla se recusa a ir embora sem antes provar que foi assassinada. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Miguel no começo acha que é mais uma cena de menina mimada. Porém quanto mais eles convivem, mas o médium percebe que tem um fundo de verdade no que a falecida insiste em afirmar. 

Dessa forma, a dupla começa uma busca desenfreada atrás de respostas. Até porque o tempo é curto. 

Os capítulos curtos acabaram fazendo a leitura ir mais rápida. O tempo todo eu só pensava no que aconteceria na próxima página. 

No entanto, ela fica mais lenta conforme Miguel se abre e confessa seu passado para o leitor. Embora os capítulos continuem curtos, as cenas são fortes e com detalhes que me embrulharam o estômago. Minha vontade era apenas abraçar o coitado do protagonista e colocar ele num potinho, livre de toda aquela família tóxica.   

Darla, por sua vez, é (ou era) a típica menina mimada e sem freio. E agora depois de morta, aproveita que ninguém está vendo para tocar o terror e assombrar as pessoas com quem convivia. De todas as pessoas com dom para ver espíritos, ela jamais imaginou que dependeria logo de Miguel para solucionar suas questões de vida terrena. 

“A repetição tira a emoção das coisas. Feridas abrem e fecham. Machucados saram. A mente transforma a dor em rotina. Não se teme a rotina.”

Por isso ela faz de tudo para que o rapaz se meta em confusões (como se ele precisasse de ajuda para isso). Nessa relação de morde e assopra, os dois criaram um laço de amizade até bonitinho, mas ambos sabem que será por pouco tempo. 

Até porque, se Darla ficasse como uma alma errante, não seria certo se ela se lembraria que um dia conheceu Miguel. Além disso, a moça tem um problemão pela frente, já que também não se lembra de como morreu. 

Ela sabe que é no dia de sua morte que estão as respostas que precisa. O que torna a missão de Miguel ainda mais desafiante. 

Conforme os personagens do elenco secundário entram em cena, vamos catando as migalhas deixadas pelo caminho e vendo quem realmente conhecia Darla, ou apenas fingia amizade. E talvez seja com eles que Miguel encontre a resposta que tanto procura. 

Bancando o detetive que não queria ser, o médium passa por poucas e boas. Com cenas repletas de humor ácido, vemos um thriller cheio de camadas e meias verdades. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Darla pode não conseguir falar com ninguém, mas ela sabe muito bem quando as pessoas estão mentindo. Já Miguel pode não ser tão prático, porém ele tem boa vontade e um dom que pode ser uma benção e uma maldição. Resta saber como usar ele da melhor forma (entenda-se benefício próprio). 

“Acho que a gente acaba se tornando o que as pessoas enxergam quando nos veem.”

Algumas coisas eu já imaginava como iriam acontecer, até por conta das diversas migalhas de informação deixadas pelo caminho. Mas ainda assim, fiquei surpresa com o desfecho. Embora seja totalmente crível e condizente com algumas informações que vi em capítulos anteriores, me senti muito feita de trouxa por ter ignorado o que estava bem debaixo do meu nariz. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Falando sobre o livro em si, eu gostei bastante da diagramação e da revisão. A fonte está bem legível e num tamanho ideal, para ler sem forçar a vista. As páginas grossinhas e amareladas completam o conjunto e conferiu mais alguns pontos à experiência. 

No entanto, não gostei tanto assim da brochura. O livro nem tinha tanta página assim, mas eu tinha muita dificuldade em segurar o livro para ler confortavelmente do meio em diante, já que quase não conseguia abrir o livro. Se alguém ler essa sugestão, talvez fosse melhor pensar em uma nova edição, com uma brochura mais confortável e fácil de manusear. 

Em resumo, Ascensão é uma leitura fluida e cheia de reviravoltas, sendo uma ótima opção para sair da ressaca literária. Mas ainda assim, tem tantas camadas, que é preciso estômago e paciência para algumas explicações. 

Você já leu esse livro ou algum outro do autor? Me conta nos comentários! 

Postado por:

Hanna de Paiva

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