24 de January de 2026

Entre Golpes e Joias | Thiago Barrozo


Olá meu povo, como estamos? Vamos falar de suspense noir hoje? E sabe o melhor? Ele é nacional!

Livro: Entre Golpes e Jóias

Autoria: Thiago Barrozo

Editora: Flyve

Ano: 2025

Páginas: 302

País: Brasil

Formato: Impresso (disponível no catálogo do Kindle Unlimited até o momento)

Nota: 4,5/5

André é um golpista tarado por pés que frequenta velórios para seduzir mulheres vulneráveis enquanto cuida da mãe diagnosticada com Alzheimer.

Trabalhando na joalheria do melhor amigo para fazer uma renda extra, ele vê sua vida virar de cabeça para baixo quando é obrigado a enfrentar um dilema: trair a confiança do amigo e participar de um assalto à joalheria, ou deixar a mãe sozinha e voltar para a prisão.

Perdido entre pés, dinheiro e sangue, André precisa tomar uma decisão. O problema é que nem sempre o caminho mais curto é o que leva ao melhor destino. Nem sempre as coisas saem como planejamos. Às vezes, nossa única companhia é a mentira e o caos.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

André é um golpista tarado por pés, que está sempre em busca de viúvas ricas em velórios para seduzir arrancar uma grana. E, claro, alimentar seu fetiche em pés.

Mas como isso não paga todas as suas contas, ele faz uma renda extra como contador na joalheria do melhor amigo. Assim ele dá conta de continuar morando na Mooca e sustentar a estadia da mãe aposentada e com Alzheimer numa clínica especializada.

O rapaz seguia bem, sempre abaixo do radar e atento para não ser descoberto pelas suas falcatruas. Porém isso vai ser bem difícil de controlar quando seu comparsa de golpes lhe colocar numa sinuca de bico: ou ele participa de um esquema milionário e assalta seu melhor amigo, ou será denunciado pelo parceiro de crimes e passar o resto da vida na cadeia.

Sem ter muito o que fazer e preocupado com a mãe, André sabe que qualquer decisão de tomar vai levar a consequências irreversíveis. Mas o tempo é curto e o rapaz precisa decidir logo com qual delas vai querer lidar.

Esse livro jamais estaria no meu radar, não fossem algumas resenhas dele, que vi pipocando no Instagram ano passado. E fiquei mais surpresa ao ser presenteada pelo próprio autor, que enviou um exemplar autografado aqui para casa.

Mal ele chegou, já fiz ele furar a fila de espera na estante, de tão curiosa que fiquei. A trama é narrada em primeira pessoa, pelo próprio André. O rapaz é um golpista profissional, que vive entrando de penetra em velórios de gente rica.

Com a ajuda de um comparsa na administração do cemitério, o golpista faz toda uma pesquisa e escolhe a dedo suas vítimas milionárias. Vestindo uma roupa apresentável, boa educação e palavras de conforto muito bonitas, não é difícil ser acolhido em meio a famílias enlutadas. Muito menos parar na cama de pessoas com conta bancária gordinha e dispostas a ajudar com alguma causa impossível que ele inventa.

Apesar de velórios ocorrerem sempre, André sabe que não pode ficar batendo ponto o tempo todo por lá. Afinal, ele precisa estar sempre abaixo do radar para que seus planos funcionem. Mas como os boletos não esperam até que novos golpes surjam, André completa a renda sendo contador na joalheria do melhor amigo, na praça da Sé.

Não há espaço para milagres quando até os santos já jogaram a toalha.”

E seus dias seguiriam sem grandes novidades, não fosse por uma ideia mirabolante que Bola (seu parceiro de golpes) inventa para se dar bem: um golpe do seguro na joalheria. O plano é simples, um assalto com valor de R$15.000,00 e depois a seguradora arcaria com todos os custos. Todo mundo sairia ganhando e André teria uma graninha para levar sua mãe para uma clínica melhor.

Além disso, seria apenas um roubo específico e ninguém sairia ferido. Contanto que seguissem todos os passos do planejado.

André, contudo, fica pistola. Nenhum de seus golpes envolve pessoas conhecidas como vítimas. Como fazer isso logo com seu melhor amigo?

Porém vai ser difícil recusar, já que Bola não está disposto a escolher outro local para o assalto, e ainda tem uma forma bem convincente de chantagem para o parceiro. Logo, recusar o esquema não é uma opção favorável.

Sem tempo para decidir o que fazer, o golpista precisa arcar com as consequências de qualquer escolha que fizer. Se aceitar, vai ter uma grana no banco, porém vai viver com a consciência de que passou a pena no seu quase irmão. Se declinar, nunca mais verá a mãe, pois passará o resto da vida na prisão.

Por mais errado que o protagonista seja, ele é o típico anti-herói. Com um jeito todo peculiar de fazer justiça com as próprias mãos, André é aquele cara todo errado que tem o coração bondoso e ajuda quem mais precisa.

Assim, é palpável seu dilema em passar a perna no melhor amigo. Especialmente por ter sido o único que abriu as portas para ele quando sua mãe foi internada numa clínica cara. Além disso, André tem um carinho muito grande pela mãe e faz de tudo para que ela tenha o máximo de conforto na “melhor idade”, mesmo que mal se lembre quem ele seja.

Ver a interação dele com a progenitora é uma das partes mais bonitas, tocantes, e também sofridas do livro. Eu nunca tive ninguém com Alzheimer na família. Mas já estiveram em situação semelhante, de memória falhando e é bem triste conviver com alguém que cuidou de você a vida inteira e agora mal lhe conhece.

André tem um amor muito grande, além de orgulho da história de sua mãe. Mas também é impossível não ter empatia e sofrer junto com ele quando suas expectativas de ser lembrado são frustradas a cada visita. De modo especial quando ele sabe que tem grandes chances de ser esquecido de vez, caso seja preso.

Enquanto isso, Bola é o completo oposto do comparsa. O cara parece cada dia mais animado em seguir com o plano, confiante de que vai dar tudo certo. Porém fala disso com tanto gosto, que chega a ser nojento e asqueroso. Está nem aí para as consequências do que vai acontecer, até porque não é ele que está na reta da chantagem.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Isso deixa André ainda mais nervoso e com raiva acumulada, o que não é uma boa combinação, dado o que está para acontecer. Vendo pelo ponto de vista dos pensamentos do protagonista, é bem fácil se compadecer dele e querer participar do que ele gostaria de fazer com o comparsa na primeira oportunidade.

É um fato: você não pode dar aquilo que não tem. Carinho e afeto não aceitam crediário. Só na propaganda das Casas Bahia.”

Porém o tempo é curto para dar conta de tanta coisa, ainda mais por ser um plano que depende das atitudes de terceiros, cujas ações são imprevisíveis. Isso mantém o clima de tensão constante na leitura, que não me deixou largar a leitura.

A escrita do autor é tão fluida, que é fácil se manter imersa e se imaginar nas cenas. Até porque, frequentando mais São Paulo nesses últimos tempos, foi bem curioso saber exatamente de quais locais o narrador comentava e estipular mapas para ver quanto tempo levava de uma cena para outra.

Além disso, o clima noir deixa a leitura ainda mais convidativa. Não apenas o próprio André, mas ninguém presta nesse elenco. Todos são humanos, passíveis de erros (alguns mais que outros), especialmente quando submetidos a situações de grande pressão.

Sendo assim, é possível imaginar qualquer um deles como pessoas comuns, que veríamos no metrô pela manhã, ou mesmo estampando a primeira página do caderno de crimes do jornal. Além disso, achei bem curiosa a forma como o autor explorou o fetiche de André por pés, algo que sei que existe, mas nunca tinha visto de uma forma tão elaborada em literatura.

O desfecho é tão sombrio quanto a própria trama. As pontas são amarradas de uma forma plausível, porém confesso que jamais teria passado pela minha cabeça. Quando finalizei a leitura, não deixei de associar a um bom final de temporada de série, ou mesmo de novela.

O que rendeu alguns pontos para a leitura. Contudo, não levou a nota máxima, por ter alguns momentos em que André devaneia demais e a história fica girando em círculos. Isso deixou a experiência mais lenta em determinado momento. Mesmo assim, gostei de como os personagens secundários foram trabalhados, como a narrativa foi bem conduzida até o final. Então ainda é uma leitura que gostei e recomendo.

Tem horas que a linha entre determinação e estupidez é mais tênue do que gostaríamos. Um passo a mais e você despenca do precipício.”

Falando sobre o livro em si, achei a capa curiosa, com uns toques de desgaste nas pontas, como se fosse um papel muito antigo. Além disso, os elementos que a compõem me lembraram os antigos romances de banca, bem ao estilo dos anos 1960-70, que ainda encontramos em sebos.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

A revisão é bem feita, assim como a diagramação. Adorei as páginas pretas iniciando os capítulos, assim como as ilustrações que fechavam (também em páginas pretas).

Em resumo, ‘Entre Golpes e Joias’ é uma história moderna, porém traz a nostalgia de romances de banca, com um clima noir, ambientado em território nacional. Se você gosta de leituras com essa combinação, então será a pedida perfeita.

Postado por:

Hanna de Paiva

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