23 de abril de 2024

Esconda-se | Lisa Gardner

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos mais um caso investigado por D.D. Warren por aqui. Vamos à resenha de ‘Esconda-se’, um thriller escrito por Lisa Gardner.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Livro: Esconda-se

Autoria: Lisa Gardner

Tradução: Cassia Zanon

Editora: Novo Conceito

Ano: 2013

Páginas: 385

País: EUA

Nota: 5/5


Uma mulher que foi obrigada a fugir – desde criança – de uma possível ameaça. Uma ameaça que seu pai via em todo lugar, mas que a polícia nunca considerou. Um antigo e desativado sanatório para doentes mentais que pode ter muito mais a esconder entre suas paredes do que homens e mulheres entorpecidos por remédios. Uma história de rancor entre membros de uma mesma família que nunca conseguiram superar os episódios de violência doméstica que presenciaram.
Um pingente que foi parar em mãos erradas – e a cena de um crime brutal: seis meninas mortas e mumificadas há mais de trinta anos. Agora, cabe à famosa detetive D.D. Warren descobrir quem foi o serial killer que cometeu esta atrocidade e que motivação infame deformou sua mente. Acompanhe D.D. Warren na solução de mais este complexo caso e encontre o inimaginável que está por trás de pessoas aparentemente comuns!

D.D. Warren foi promovida recentemente à patente de sargento e está feliz com a conquista. No entanto, a alegria não dura muito quando é chamada para seu primeiro caso da promoção: investigar uma série de assassinatos de adolescentes, cujos corpos foram encontrados em uma espécie de caverna e dispostos de uma forma monstruosa. Durante as investigações, eles identificam Annabelle Granger, a primeira vítima e anunciam na TV, a fim de encontrarem mais informações que os familiares poderiam dar sobre o desaparecimento, décadas atrás.

No entanto, Annabelle está bem viva e disposta a provar isso para o mundo. O que lança um mistério no ar: qual a verdadeira identidade da vítima anunciada na televisão e porque está com o nome da testemunha? Além disso, quem será o responsável pelas atrocidades cometidas tantos anos atrás?

Esse é meu terceiro contato com as obras da Lisa Gardner e resolvi colocar na TBR da Maratona Literária de Primavera, organizada pela Anna do @morcegos.literarios. Como já conhecia o estilo da autora, sabia que seria uma leitura fluida e bem na minha zona de conforto, perfeita para os desafios que seriam lançados ao longo do mês de setembro.

E, para minha alegria, foi exatamente isso o que encontrei. A narrativa segue a mesma receita de bolo dos outros livros da escritora: narrativa em terceira pessoa, mostrando as investigações principais, alternando com capítulos narrados por uma das vítimas/suspeito. Nesse caso, temos a visão de Annabelle Granger mostrando os bastidores do que poderia ser um dos casos mais chocantes do país.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

A moça tem um passado bastante conturbado, marcado por constantes mudanças de casa e sem tempo para criar raízes. Foi ensinada pelo pai a se defender sozinha e estar sempre atenta a qualquer sinal de perigo iminente. Ela é inteligente, sagaz e tem o dom de se esconder na multidão, mas o motivo para isso sempre lhe foi um grande mistério.

No entanto, a jovem será obrigada a se mostrar para o mundo quando seu nome é divulgado num jornal de grande repercussão do país, listado como uma das vítimas de um caso chocante que a polícia está investigando atualmente. Disposta a provar que está bem viva, Annabelle vai até a delegacia e conta sua história para os investigadores, que a princípio julgam fantasiosa e perfeita demais.


“– Você não precisa gostar do sistema – ele me explicou. – Não precisa acreditar nele nem concordar com ele. Mas precisa compreendê-lo. Se conseguir compreender o sistema, vai sobreviver. Uma família é um sistema.”

No entanto, o caso tem pistas bastante intrincadas e, aparentemente, sem solução. Logo, a versão da testemunha parece ser o único fio disponível para desenrolar os fatos. Assim, D.D. Warren se vê obrigada a incluir Annabelle na história e seguir essa linha de raciocínio.

Com a ajuda de seu grande amigo e parceiro Bobby Dodger, eles percebem que a moça estava falando a verdade e poderia ser uma das vítimas sobreviventes. No entanto, porque ela teria ficado viva permanece um mistério, assim como qualquer outra coisa que tenha acontecido na cidade durante os anos de 1990. Além disso, conforme algumas pontas se desenrolam, os detetives percebem que estão correndo muito mais perigo do que pensavam. Logo, o tempo é curto antes que mais uma vítima possa ser encontrada tarde demais.

A escrita da autora é tão fluida que logo me vi imersa na história e não queria mais largar. Os capítulos mais curtos e diretos também ajudaram bastante neste quesito — algo que rendeu pontos positivos para a experiência. A única coisa que não gostei muito foi descobrir que ‘Esconda-se’ é o segundo volume de uma série protagonizada pela detetive D.D. Warren.

Apesar de serem casos independentes, existem pontos importantes que ligam os personagens principais e seguem uma linha lógica. Embora não tenha afetado minha compreensão do mistério central, fiquei perdida em relação a alguns pontos da vida pessoal dos personagens que eu gostaria de ter sido avisada antes. Fiquei com a sensação de fofoca contada pela metade e não curti muito.

“Preparada? Qual é a utilidade de estar tão preparada se tudo o que fazemos é fugir?”

Em relação aos personagens, mesmo com essa sensação de informações perdidas, estou gostando bastante da detetive. Ela é uma mulher forte, competente e que faz jus ao seu cargo na polícia. O mesmo se aplica a Bobby, o policial que nada tem a ver com a polícia de Boston, mas sempre se mete onde não é chamado e resolve os casos (rsrsrs). Juntos, fazem uma ótima dupla profissional e se entendem perfeitamente.

No entanto, a química entre eles vai um pouco além disso e é possível ter aquele risinho no cantinho da boca, com a sensação de “hmm… aí tem treta”. Talvez por essa tensão sexual tão palpável existir, os dois vivam entre tapas e beijos (ou mais tapas que beijos), mas não vivem sem o outro do lado. A intimidade deles é tamanha que parecem um só trabalhando, o que já é garantia de caso resolvido dentro do esperado.


“Até para um policial veterano, algumas coisas eram fortes demais.”

Com o passar das páginas, vemos também o talento da autora de elaborar crimes surpreendentes e capazes de fazer o leitor de trouxa com categoria. Eu tinha diversas suspeitas em relação ao passado de Annabelle, de modo especial quando conhecemos sua versão dos fatos. No entanto, mesmo com uma visão atenta, fui pega de surpresa por detalhes que deixei passar e fiquei de queixo caído depois que as pontas foram amarradas.

As respostas são dadas no momento certo e quase nada fica para trás. No entanto, senti falta de algumas páginas para deixar o desfecho um tanto mais crível em relação às demais vítimas. Elas pareceram ficar esquecidas no limbo, enquanto apenas Annabelle brilhava sob os holofotes (da mídia e da autora também). Isso decepcionou um pouco, pois senti falta de mais respostas que não virão nos volumes seguintes.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Apesar disso, o que a autora se propôs a trabalhar funcionou de forma crível e aceitável. Terminei a leitura com a respiração ofegante e a sensação de ter corrido uma maratona, tamanha a minha emoção com o desenrolar dos fatos (e muita agonia). Isso porque Lisa não economizou em detalhes macabros, muito menos nas cenas de “tiro, porrada e bomba”. O que me deu a sensação de ler um verdadeiro filme de ação.

Falando sobre o livro em si, li a versão digital e posso falar que gostei bastante da diagramação simples e objetiva. A revisão também está bem feita, bem como a fonte legível, dando uma experiência positiva de leitura. Em relação à capa, porém, não é das minhas favoritas, pois não achei condizente com o que seria apresentado na trama. Mas isso é questão de gosto e não interferiu na minha leitura.

Por fim, recomendo que leiam a obra. Especialmente se gostam de mistério com cara de filme.

Já tinha lido esse livro, ou algum outro da autora? Me conta nos comentários.

Texto revisado por Emerson Silva

Postado por:

Hanna de Paiva

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