25 de maio de 2024

Gaiola de Ouro | Camila Läckberg

Olá, meu povo! Como estamos? Hoje eu trago a resenha de ‘A Gaiola de Ouro’, um thriller que mexeu bastante comigo.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Livro: A Gaiola de Ouro

Autoria: Camila Läckberg

Revisão: Fernanda Akesson

Editora: Arqueiro

Ano: 2020

Páginas: 320

País: Suécia

Formato: Digital (disponível no catálogo do Kindle Unlimited até o momento)

Nota: 4,5/5

A vingança de uma mulher é bela e brutal
Jack e Faye começaram a namorar na faculdade: um garoto criado em berço de ouro e uma jovem que se esforçou para enterrar um passado sombrio. Quando ele decide criar uma empresa, ela deixa os estudos e passa a trabalhar de dia, dedicando as noites a traçar a estratégia do novo negócio.
A companhia se torna um sucesso bilionário, mas Faye se sente como um lindo pássaro preso numa gaiola, apenas cuidando da filha em casa e sendo exibida pelo marido, que toma todas as decisões da empresa. Jack agora despreza sua inteligência, esquecendo tudo o que ela sacrificou por ele.
Quando Faye descobre que ele tem um caso, a bela fachada de sua vida desmorona. De uma hora para outra, ela está sozinha, emocionalmente abalada e sem nenhum centavo – porém nada pode se comparar à fúria de uma mulher com um passado violento determinada a se vingar.
Jack está prestes a receber o que merece, e muito mais.
Nesta eletrizante história de sexo, traição e segredos, Camilla Läckberg prova ser uma das vozes mais importantes do suspense mundial.

Faye é invejada por muitas mulheres: ela é casada com Jack, um dos homens mais ricos da Suécia atualmente, com quem tem um relacionamento longo, sólido e construiu a família perfeita. Juntos eles comandam a Compare, uma empresa em grande ascensão que está prestes a alçar voos cada vez mais altos, deixando o casal ainda mais rico.

No entanto, quando se olha por trás de belas fotografias de jornais e revistas badalados, nada é o que parece. Enquanto o marido trabalha dia e noite para manter a empresa de pé, a esposa fica em casa, curtindo belas paisagens para onde tem vista e usando roupas das grifes mais caras. A filha estuda nas melhores escolas e usa tudo do bom e do melhor. Mas algo está faltando para completar o quebra-cabeças e logo Fay vai descobrir da pior forma possível que pessoas perfeitas não existem.

E o que ela fará com essa descoberta pode abalar qualquer pessoa que esteja em seu caminho.

Nem acredito que saí da bolha EUA X Reino Unido! Já tinha um bom tempo que eu vinha me repetindo sobre isso, mas boa parte das minhas leituras acabavam voltando para a bendita da zona de conforto e eu não tinha a oportunidade de conhecer outras obras (nem outros países).

Quando vi que ‘A Gaiola de Ouro’ estava disponível no catálogo do Kindle Unlimited, logo tratei de pegar emprestado. Apesar de não ter lido as avaliações, para não ter o risco de tomar um spoiler, vi que boa parte delas era positiva. O que me deixou mais curiosa, dado que eu nunca li nada da autora.

Logo que começamos a leitura, temos um mistério no ar. Faye é vítima de um crime brutal em sua família e os detetives estão buscando pistas para solucionar o mais rápido que podem (na velocidade da polícia europeia, ou seja, bem devagar). Esse tempo é o suficiente para que a protagonista se lembre dos fatos que a levaram até o fatídico dia e apresentar sua história para o leitor.

Apesar de boa parte da trama ser baseada em fatos do passado (até para termos uma boa noção de todos os detalhes), a narrativa é alternada. Em primeira pessoa, vemos uma Matilda jovem e inteligente, que veio para a capital com um sonho. Em terceira pessoa, vemos uma Faye adulta, mais velha, se lembrando de todas as decisões que tomou até chegar nas situações que passa com o marido.

As pessoas estudam para ter sucesso, e nós já havíamos chegado ao topo. O futuro era tão luminoso que eu precisava de óculos de sol.

Como tudo está interligado, a narrativa não é linear. Então, no mesmo capítulo temos um vislumbre de um passado recente, além de outro ainda mais distante no tempo. No entanto, é preciso estar atento a todos os detalhes, se quiser saber da “fofoca completa”.

Matilda e Faye são mulheres que sofreram um bocado na mão de homens ao longo da vida. Isso só mostra que, por mais desenvolvidos que sejam os países, macho babaca só muda de endereço e conta bancária.

A primeira tem um passado tenebroso que passou dentro da própria casa e que lhe rende pesadelos por muito tempo. Sua única resposta para tudo o que testemunhou foi nunca mais deixar que homem algum lhe submeta a mais nada daquilo. 

Pouco a pouco, fui fazendo de Estocolmo a minha cidade. Isso me dava esperança de curar as feridas e esquecer o passado.

O que é bem retratado ao longo dos capítulos, quando a moça entra em primeiro lugar no curso de Economia, numa das universidade mais disputadas do país. Com o passar das páginas, vamos conhecendo Faye, que aos poucos toma o lugar de Matilda. Ela se torna uma mulher confiante, atraente, mas também temida por onde passa.

Os homens se rendem à sua beleza, ficam aos seus pés e fazem tudo o que a moça manda. Contudo, quando Jack entra em cena, as coisas mudam da água para o vinho.

A jovem está apaixonada e é a primeira vez que tal sentimento é recíproco. Suas chances não poderiam ser melhores, já que o rapaz vem de uma família tradicional e muito rica. Assim, nada pode lhe impedir de ser a sra. Adelhein, esposa do futuro empresário multimilionário da Suécia.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Mas já está bem na cara o quanto ela pode se arrepender amargamente por isso. Faye é mostrada como uma mulher extremamente submissa. Tudo o que ela faz precisa passar pela aprovação do marido. E quando isso não acontece, ela entra no modo “meu mundo caiu, sou uma péssima esposa”.

Olhando de fora, todas as cenas da mulher são deprimentes. Primeiro porque o que ela sentia por Jack deixou de ser paixão logo depois que saíram do altar e virou obsessão doentia. Por sua vez, o empresário se aproveita da fragilidade de Faye para manipulá-la como bem entende. Coloca a coitada para baixo a qualquer oportunidade e me dava nos nervos ver o quanto ela aceitava isso como verdade absoluta.

No começo eu queria era entrar no livro para dar uns sacodes nela e mandar essa criatura acordar para a vida. Estava na cara (piscando em letras neon) que aquele relacionamento está longe de ser saudável. Faye corria atrás de migalhas enquanto Jack se aproveitava e pisava nela só por diversão.

Isso me incomodou, principalmente, por eu ter passado por uma situação semelhante. Já fui a Faye alguns anos atrás e não me orgulho em nada disso. Então, quando reconheço outra mulher nessa situação, eu tenho vontade de vir como o “espírito do futuro” e falar: “sai dessa vida e vai arrumar alguém que realmente faça valer seu tempo”.

A sensação era maravilhosa. Eu estava livre, agora. Livre para fazer o que quisesse. Podia ser quem eu quisesse ser. O passado não sujava mais tudo à minha volta, tudo dentro de mim. Não havia mais ninguém me puxando para baixo. Eu ia, pouco a pouco, me tornando outra pessoa.

A certeza foi absoluta depois que a protagonista passa por diversos momentos vergonhosos. Os quais teriam sido evitados se Jack fosse um homem decente. Ali eu tive pena de Faye, cada vez mais doente de amor. Mas também fiquei revoltada, pois eu vi tudo o que ela fez (TUDO!) e não sei quando que aquela mulher poderosa e temida deu lugar a essa versão apática e que se humilha atrás de migalhas.

Felizmente, não foi apenas eu que pensei assim. Chris, a única amiga de verdade de Faye parece ter notado o mesmo e não descansa enquanto não vê a moça ficando bem. Aliás, eu acho que a relação das duas é uma das poucas saudáveis nesse livro.

Não apenas elas, mas me pareceu que a autora quis trazer um elenco feminino forte e capaz de mostrar que só não dominamos o mundo ainda por um simples motivo: não queremos. Mas no dia que tomarmos essa decisão, homem nenhum nesse mundo segura.

O maior problema das pessoas, percebi, é que elas projetam suas dores nos outros, querem dividi-las. Acham que somente por termos um DNA parecido vamos nos sentir tristes diante das mesmas situações. A tristeza não fica mais leve apenas porque a dividimos com alguém. Pelo contrário, fica até mais pesada. E Viktor não fazia ideia do que era tristeza de verdade.

Achei muito boa a forma como Faye se reergueu do tombo. Mais ainda, com a raiva que eu estava do Jack, pelas atitudes infantis, machistas e babacas, contava os minutos para vê-lo queimar numa fogueira, pedindo perdão que nem um cachorrinho.

O que acontece de uma forma tão articulada e calculada que me deu orgulho. Sinceramente, fiquei com muita raiva da Faye em boa parte do livro. Mas ela representa quase todas (se não todas) as mulheres que já passaram por uma situação desse tipo e queriam se vingar com classe.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Não concordei com diversas decisões que ela tomou depois. Acho que, se tivesse no lugar dela, teria feito o que ela fez e muito mais, só para ver Jack sofrer e implorar perdão de joelhos. Até entendo que ela estava passando por muitas emoções conturbadas, que não convém falar por risco de spoiler. Mas para uma mulher que se tornou fria e calculista como ela se tornou, eu esperava um pouco mais de firmeza.

Isso se refletiu no desfecho, que foi espetacular, mas ainda um tanto insosso. A sensação veio em parte por conta da personalidade de Faye, que ora me dava nos nervos, ora me deixava confusa. Mas também notei que a autora queria causar com um final digno de CSI e crime perfeito.

No entanto, só me deixou com a impressão de que ela tirou um coelho da cartola, mas que o público inteiro sabia onde ele estava escondido. Então, o truque não teve graça. Acho que a ideia usada foi válida, porém um pouco mais de pesquisa em ciência forense teria resolvido esse problema e o livro seria um 5 estrelas favoritado.

No entanto, esse pequeno detalhe não tira o mérito da trama inteira. Assim, mesmo perdendo meio ponto, ainda é uma história que gostei bastante e recomendo. Vi também que existe uma continuação, disponível no Kindle Unlimited. Mas ainda estou decidindo se lerei, já que, da forma como terminou, não acho que seria necessária uma sequência.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Falando sobre o livro em si, ‘A Gaiola de Ouro’ tem uma diagramação bem feita, com uma capa elegante e que parece revistas caras. A revisão também é atenciosa e gostei bastante da formatação.

Agora me conta: você já leu esse livro ou algum outro da autora?

Postado por:

Hanna de Paiva

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