29 de junho de 2024

Ghostwriter | Alessandra Torre

Olá meu povo, como estamos? Hoje eu trago a resenha de Ghostwriter, uma de minhas leituras mais recentes (e que muito me surpreendeu).

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

ALERTA: Este livro pode conter gatilhos.

Livro: Ghostwriter

Autoria: Alessandra Torre

Tradução: Andreia Barboza

Editora: Verus

Páginas: 280

Ano: 2023

Formato: Digital (Disponível no catálogo do Kindle Unlimited até  momento)

País: Estados Unidos

Nota: 5/5

Helena Ross é uma renomada escritora de romances. Ela tem muitos best-sellers no currículo e milhões de fãs no mundo todo, que aguardam ansiosamente seu próximo lançamento. Ela tem fama e fortuna. Mas Helena também tem um segredo terrível, que a corrói por dentro.
Quatro anos atrás, ela vivia feliz com sua família perfeita em uma casa perfeita. Até aquele dia fatídico. Agora Helena está sozinha e não consegue esquecer o que perdeu. Ela sabe que é hora de contar sua última história, a mais difícil. Com uma reviravolta que vai deixar os leitores estarrecidos. A verdade sobre o que aconteceu com sua família.
Helena tem pouco tempo. Ela precisa de alguém para escrever sua história angustiante. Mas será que revelar a verdade vai salvar sua alma ― ou vai condená-la para sempre?
Ghostwriter é uma história sombria e cheia de mistério sobre como as palavras podem matar.

Helena Ross é uma renomada escritora de romances românticos, os quais estão há anos na lista de mais vendidos do país. Por conta disso, a moça tem uma vida rica e abastada, com tudo de bom que o mundo pode lhe oferecer.

Os leitores a amam e as editoras disputam a tapa as suas próximas histórias, que são garantia de 100% de lucro logo na primeira tiragem. Contudo, ao contrário de tudo o que já publicou, Helena agora se dedica a um livro bem fora da caixinha e que promete surpreender não apenas os seus leitores fiéis, mas também o próprio mundo.

Ghostwriter é um livro que não estava no meu radar. E eu nem sonharia em ler, se não tivesse no catálogo do Kindle Unlimited. Achei também muito curioso o fato de não ter tantos comentários a respeito dele, ainda mais por ser relativamente antigo no mercado. Mesmo assim, a capa e a sinopse me chamaram atenção e resolvi dar uma chance. O que foi uma decisão bastante acertada, por sinal.

A trama é narrada em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Helena, nossa protagonista. Além disso, alguns capítulos tem uma visão em terceira pessoa, pelo ponto de vista mais geral de algumas pessoas importantes durante a leitura.

A protagonista é uma pessoa bastante difícil de se lidar. Custa acreditar que uma mente criativa, capaz de criar romances super leves, divertidos e que deixam seus fãs suspirando pelos cantos seja o completo oposto. Logo nos primeiros capítulos somos apresentados a Helena e sua personalidade introspectiva e cheia de regras insanas. O que passa uma primeira impressão de ser uma pessoa superior, arrogante e intragável.

A única pessoa que parece entender e tentar se aproximar dela é Kate, sua agente literária e contato direto com o mundo real. Porém, mesmo que a coitada siga todas as regras, me dava nervoso ao ver Helena tratando a moça como se fosse um zero à esquerda.

Apesar de entender a questão dela, existe um limiar entre personalidade introspectiva e falta de educação, que a escritora ultrapassa sem dó quase o tempo inteiro. A cada cena dessa, eu só queria lhe dar uns belos tabefes e jogar na cara dela um livro de etiquetas.

Além disso, a leitura é arrastada quando Helena narra sua história. Talvez por ela querer que o leitor compreenda tudo o que aconteceu nos mínimos detalhes e tenha uma opinião bem mais assertiva sobre o que está prestes a nos revelar. Isso porque a autora quer sair de sua zona de conforto e escrever livros que ninguém jamais esperaria, completamente fora dos romances açucarados que lhe renderam fama e fortuna.

Isso espanta Kate, especialmente pelas exigências que Helena faz para o novo romance. Primeiro, vai largar o que havia prometido (e até recebido um adiantamento gordo) publicar no ano para se dedicar a essa ideia. Segundo, vai ser editado por uma editora que sempre recusou trabalhar com ela, por ser fora do escopo. Terceiro, quer um ghostwriter e já tem a pessoa certa para a função: Marka Vantly, uma escritora tão famosa quanto ela, mas também sua maior concorrente.  

“Uma parte de mim está aterrorizada. A parte restante parece quase eufórica com a sensação de libertação. Em breve… minha história final será publicada, e todos vão saber a verdade.”

Kate tenta de todas as formas entender os motivos que levaram sua cliente a tomar essas decisões. Claro que sem sucesso, já que Helena é um poço de educação (sqn) e se recusa a responder. Para a agente não resta muita coisa a não ser atender aos desejos excêntricos de sua galinha dos ovos de ouro e torcer para que as explicações venham logo. Afinal, seu emprego depende de um romance de Helena Ross nas livrarias, o qual precisa ser anunciado logo.

Com capítulos curtos e uma escrita fluida, rapidamente fiquei imersa na leitura e queria saber os motivos que levaram a protagonista às exigências que fez. E, felizmente, não me decepcionei.     

Conforme o romance secreto é desenvolvido, o leitor vai entendendo o que se passa na cabeça de Helena, bem como seus sentimentos. Ela é uma pessoa amargurada e tem muitos demônios de seu passado que ainda a espantam a todo instante.

Por conta disso, ela mergulha em seu processo de escrita e se recusa a sair para viver o mundo real. Até porque, das vezes em que fez isso, descobriu que a realidade pode ser cruel e ainda mais insana do que pensava.

Assim, é mais fácil se enfiar nos mundos que cria e seus personagens perfeitos e apaixonantes, como uma espécie de âncora de esperança de um futuro melhor. O que lhe deixa nervosa é ver o quanto algumas pessoas não parecem concordar, já que rendem lucros altíssimos para sua concorrente, Marka Vantly. A escritora tem tanto lucro quanto Helena (se não mais), publicando livros hot dos bem pesados, os quais também lhe faz disputar o topo da lista dos mais vendidos todos os meses.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Toda vez que entram em contato, é através de e-mails ofensivos, que beiram a processo. Dessa forma, seria inconcebível ver as duas mentes mais brilhantes do momento trabalhando juntas em um romance. Mesmo assim, Kate faz o contato e propõe a parceria para Marka, já esperando a negativa e a reação de Helena.

“Engraçado o que só se descobre sobre as pessoas quando elas deixam você. Ou quando sua mente para de dar desculpas para todos os sinais.”

Contudo, ao contrário do que se possa esperar, esta parceria pode render descobertas incríveis, que deixam o leitor de queixo caído. Quando as duas se encontram, os capítulos tendem a se intercalar e ficam mais rápidos, talvez por conta da visão em terceira pessoa, que dá um balanço na história arrastada da protagonista.

A partir daí, não conseguia mais largar e precisava de respostas. Helena é uma pessoa cheia de camadas, que se desfazem com o contato de Marka. A outra, por sua vez, também tem feridas do passado que gostaria de esquecer e vê nisso uma oportunidade. Eu confesso que fiquei chocada e até entendi o lado de cada uma ali (até o da Kate).

As revelações do romance secreto acontecem em doses homeopáticas, o que foi uma decisão acertada e conferiu diversos pontos para a leitura. Em parte para manter o suspense dessa mudança de rumo no ar. Mas também pelos temas que são abordados ao longo desta escrita.

É preciso estômago para encarar diversos deles e, inclusive, foram gatilhos para mim. Talvez por isso li até mais devagar do que costumo fazer em livros desse gênero. Mas isso não tirou em nada o mérito da história, muito pelo contrário.

Ghostwriter vai além de acompanhar o processo de escrita de um livro. É sobre vidas humanas e mostra que nem sempre o gramado do vizinho é mais verde. Helena precisa expurgar muita coisa e sua forma escolhida para isso é sentar e desabafar com seus leitores.

“Eu mal me lembro dos meus dias mais felizes. Às vezes penso que minha memória os está inventando, preenchendo espaços em branco com trailers de filmes da Hallmark.”

Não posso passar pano para a personagem, muito menos para Marka. Mas sinceramente, depois de conhecer o passado delas, não sei o que faria se estivesse no lugar. Talvez até tivesse as mesmas ideias e estaria agora lidando com as consequências. Talvez por isso ache que são críveis e próximas da realidade, ao ponto de ser um conhecido meu.

O desfecho, assim como toda a trama, é chocante, arrebatador e triste. Terminei de queixo caído e sem acreditar em tudo que li, mesmo que algumas respostas fossem óbvias. No entanto, alguns personagens eu gostaria que tivessem sido melhor aproveitados. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Falando sobre o livro em si, eu li em versão digital e posso afirmar que a diagramação é bem feita, assim como a revisão. A capa é simples e objetiva, sem muitos elementos. Não é das minhas favoritas, mas também não é feia.

Em resumo, recomendo Ghostwriter se você curte suspenses mais pesados. Mas prepare seu estômago para prováveis gatilhos.

Agora me conta nos comentários se já leu esse ou algum outro livro da autora. 

Texto revisado por Emerson Silva

Postado por:

Hanna de Paiva

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