Olá meu povo, como estamos? ‘O Balido’ fez parte de uma das últimas TBR’s que fiz aqui no blog. Consegui finalizar a leitura durante o Halloween e hoje vou comentar sobre minhas impressões finais do livro.
Livro: O Balido
Autoria: Wen A. Modesto
Editora: Flyve (selo Voe)
Ano: 2025
Páginas: 216 (Disponível no catálogo do Kindle Unlimited)
País: Brasil
Elói, um jovem atormentado pelo luto, encontra uma carta misteriosa de sua avó Marta, que ele acreditava estar morta. Em busca de respostas, viaja para um vilarejo isolado no interior da Bahia, e descobre segredos sombrios envolvendo rituais antigos e uma entidade aterradora que conecta sua família a um passado macabro.
Em meio a traições, simbolismos e figuras misteriosas, Elói luta para escapar de um destino trágico. “O Balido” é um suspense psicológico que explora os limites do medo, os segredos de família e a luta pela sobrevivência diante do desconhecido.

Elói é um rapaz simples, com gostos simples. Vivendo no Rio de Janeiro com o namorado (Ari), ele tem uma rotina sem grandes novidades. Contudo, suas noites não são bem dormidas nos últimos dias. Seus pesadelos tem se tornado cada vez mais frequentes e reais.
O rapaz não sabe mais o que fazer, pois sua mãe começou com os pesadelos constantes e foi parar em um hospital psiquiátrico. Além de não ter ideia da origem da doença, Elói se vê perdido por não ter ideia de sua própria história.
A mãe sempre dá um jeito de desconversar de suas perguntas e fala que o passado deve ser esquecido. Contudo, agora que ela se foi, Elói percebe que pode enfim ter a chance de responder todas as suas perguntas após encontrar algumas pistas nas coisas de sua mãe.
Com um único envelope vermelho na mão e um sonho, o rapaz parte com Ari rumo ao interior da Bahia. Mas chegar lá se torna quase uma missão impossível. E voltar para casa pode ser ainda mais complicado.
Peguei essa noveleta durante o Encha Seu Kindle 2025 e deixei guardado para ler durante o Halloween. E não poderia ter sido uma decisão mais acertada.
A narrativa é em primeira pessoa, contada pelo ponto de vista do Elói. O rapaz é feliz ao seu modo. Ele vive bem com o namorado, num apartamento simples e bem localizado no Rio de Janeiro e ganha a vida como jornalista freelancer.
O relacionamento do casal é saudável e com um futuro promissor. No entanto, a felicidade do rapaz nunca foi completa. Isso porque Elói nunca soube de suas próprias origens. O único laço familiar dele é com a mãe, Dona Genoveva, que sempre se esquiva quando o filho perguntava alguma coisa do passado, ou porquê a mãe mal fala dele.
Porém, Elói esta ficando preocupado. Dona Genoveva está doente e foi parar num hospital psiquiátrico depois de uma série de pesadelos que lhe tiraram a noção da realidade. Os anos se arrastaram, até que um dia ela se vai, deixando Elói sozinho no mundo e sem história.
Buscando mudar isso, o rapaz não descansa até descobrir o paradeiro de algum outro parente. O que ele consegue com a ajuda do namorado. E o casal parte rumo a uma cidadezinha perdida no interior da Bahia.
Chegando lá, eles são muito bem recebidos por Marta, a mulher que diz ser sua avó. Além disso, a cidade é pequena, onde todo mundo se conhece. Assim, não seria difícil conhecer histórias e fechar os buracos abertos há décadas no coração do rapaz.
E isso seria um conto de fadas com “final feliz” garantido, não fossem algumas coisas estranhas que Elói vai notando ao longo dos dias. Para começar, o rapaz nunca tinha ouvido falar de sua cidade natal até alguns dias atrás. Mas quando ele chega lá, é como se todos já estivesse esperando por ele.
“As verdades não ditas se escondiam nas sombras, e eu, mesmo cercado por sorrisos, não podia ignorar a sensação de que a noite ainda estava apenas começando.”
A recepção é agradável, mas o protagonista é mais tratado como um rei do que como uma visita. O melhor quarto na casa da avó, a melhor comida na mesa, só faltam lhe fazer reverência. Afinal, não é todo dia que se recebe um “milagre” (como ele é chamado) de visita.
Além disso, Ari, o maior amante do ambiente urbano, parece ter se apaixonado muito rápido pelo local calmo e sombrio, o que chama ainda mais atenção de Elói. Embora ele desconfie das boas intenções de todos, acaba se distraindo pelas festividades das Quatro Luas, que envolve muita dança, jogos e comidas típicas, além de segredos estranhos e profecias antigas.
O plano era aprender mais sobre sua mãe e tentar evitar novos pesadelos (os quais curiosamente não acontecem mais quando Elói se instalou na casa da avó). Mas parece que teias de aranha se formam ao seu redor, fazendo o jovem esquecer do tempo e do espaço, o suficiente para não notar alguns olhares ou informações incompletas que recebia.
Eu simpatizei com o rapaz logo de cara. Ele era alguém em busca de respostas e só queria saber de onde veio, bem como o que levou sua mãe a tomar as atitudes que tomou anos atrás.

Além disso, vendo os fatos apenas pelo ponto de vista dele, é possível entender seus sentimentos em relação ao mundo. Assim, senti na pele o quanto ele sofreu com a perda da mãe e até a crise de depressão que enfrenta.
“O vilarejo estava sendo consumido pelo caos, e, de alguma forma, eu sentia que aquele povo merecia toda a tragédia.”
Contudo, seus sentimentos são tão intensos que ele fica cego para uma série de outras coisas. Então me deu agonia notar as coisas que estavam acontecendo e Elói mal notando as reais intenções de seus novos vizinhos.
Ari, por sua vez, é um namorado gentil, atencioso e um grande parceiro, a combinação perfeita para um relacionamento longo e duradouro. Ele parte com seu grande amor, a fim de ajudar Elói a ter seu sonhado fechamento.
O que ele consegue logo que coloca os pés na terra da avó. Marta é uma mulher madura, vivida e cheia de sabedoria. Parece ter todas as respostas e não cansa de alardear para seus vizinhos que seu neto é um milagre há muito esperado.
O clima de contos de fadas é lindo. Porém, dura até a página dois. Sua avó é uma mulher respeitada, quase idolatrada por onde passa. Isso confere um tratamento diferente a Elói, que se sente quase um deus num altar.
“Lá estávamos nós, presos. Dois fantasmas de uma história que jamais deveríamos ter protagonizado. A ironia era sufocante.”
A vibe sombria do lugar deixa tudo ainda mais estranho, como se a própria cidade respirasse segredos profundos e antigos. O visitante começa a desconfiar que tem algo errado, especialmente quando Ari está tão encantado que não quer mais voltar para casa.
Além disso, o tempo parece conspirar e mal notamos ele passar, a não ser quando a festividade das Quatro Luas enfim se aproxima. No entanto, o que era para ser uma simples festa se revela algo que nem eu esperava.
A narrativa é envolvente e cheia de camadas. O autor soube fazer um bom arco de acontecimentos, com começo, meio e fim bem marcados. Mas ele é tão sombrio que me deu calafrios.
A escrita é fluida e me manteve imersa o tempo todo. O que é bom, mas também assustador levando em consideração o que Elói passa. Fiquei bem apreensiva e torcia para que o rapaz conseguisse encontrar as respostas que tanto sonhava. Contudo, parece que quanto mais ele descobria sobre o passado, mais perguntas apareciam para completar a lista.
As respostas, quando finalmente aparecem, são tão cheias de camadas quanto todo o restante da história, mantendo o aspecto sombrio. Não bastasse isso, achei interessante a forma como o folclore foi inserido, trazendo elementos que até então eu não conhecia.

O título é explicado de modo sutil. Mas quando entendi a mensagem, explodiu minha mente e eu não poderia pensar em algo melhor. O desfecho é aberto, porém casa bem com tudo o que aconteceu.
Falando sobre a obra em si, li em versão digital. Então, posso afirmar que gostei da diagramação. A revisão também está bem feita e a fonte é bem legível, o que ajuda na experiência positiva de leitura. A capa é simples, porém sombria, com detalhes que explicam bem o que iremos encontrar na trama.
Em resumo, ‘O Balido’ é uma boa opção para se conhecer mais o Brasil através da leitura.

Agora me conta nos comentários: Já leu esse ou algum outro livro do autor?
Texto revisado por Emerson Silva.