4 de agosto de 2022

O Último Caso de Sherlock Holmes | Arthur Conan Doyle

 Olá meu povo, como estamos? Hoje temos a resenha de um clássico por aqui: ‘O Último Caso de Sherlock Holmes’, de Sir. Arthur Conan Doyle.

O Último Caso de Sherlock Holmes
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

38/24

Livro: O Último Caso de Sherlock Holmes 

Autor: Arthur Conan Doyle 

Editora: Ciranda Cultural (selo Principis)

Ano: 2021 (edição atual)

Páginas: 192 

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Esse é oficialmente o último conto de Sherlock Holmes, na ordem cronológica do personagem. Conan Doyle publicou outras histórias após 1914, mas todas fazendo referências a anos anteriores à Primeira Guerra. Com a aproximação da Grande Guerra, o autor escreveu um desfecho à altura de seu personagem. Como o grande detetive não teria participação em um evento tão importante e histórico?

De modo geral, as pessoas crescem. Tem seu período de auge na carreira e depois envelhecem o bastante para curtir a aposentadoria (ou sair dela de vez em quando). Com os personagens literários isso também é possível.   

Em ‘O Último Caso de Sherlock Holmes’, somos apresentados às últimas aventuras da dupla de detetives que conquistou meu coração, já mais velhos e experientes. Após muitos casos solucionados, Holmes e Watson se separaram e seguiram suas vidas.   

No entanto, os bastidores da I Guerra Mundial têm mistérios tão bem amarrados que apenas a mente brilhante como a do detetive consultor seria capaz de solucionar.    Assim, eles retornam de seu período de descanso para um último trabalho juntos, como uma espécie de despedida, não apenas entre eles, mas também dos leitores.

“Minha mente é como um motor em andamento, desmontando aos poucos por não estar fazendo o trabalho que foi destinado a desempenhar.”

A fase das leituras curtas continua e uma boa pedida para aproveitar esse tempo são os casos de mistérios clássicos, como Sherlock Holmes. Apesar de ser fã das histórias do personagem, estava há um tempo sem ler e foi um grande achado na minha estante.   

Aqui, encontramos uma seleção de contos, colocados em ordem cronológica de publicação, os quais mostram os trabalhos dos detetives antes da aposentadoria. Ambos estão mais velhos e cansados, porém apenas fisicamente, já que a mente e a percepção estão mais afiadas do que nunca.Falando rapidamente sobre os contos, temos:


A Aventura de Wisteria Lodge – Um jovem é convidado a passar a noite na casa de um conhecido como cortesia. Porém, no dia seguinte, todos os funcionários desaparecem e um homem foi brutalmente assassinado. Entre realidade e delírios, cabe a Holmes e Watson descobrirem o que de fato aconteceu.


A Aventura dos Planos do Bruce-Partington – Muitas coisas estranhas podem acontecer quando menos se espera. E as chances são ainda maiores quando Londres está envolta em uma neblina densa, a qual pode esconder crimes perfeitos, ou quase.

A Aventura do Pé-de-Diabo – Uma das aventuras mais curiosas pelas quais Holmes e Watson já passaram, a qual é conhecida nos jornais como o “Terror da Cornualha”.

A Aventura do Círculo Vermelho – A Sra. Warren está de volta. Após o incidente envolvendo outro inquilino, a moça retorna à casa de Holmes para investigar um novo morador de seu prédio, com uns costumes peculiares. O que será que ele esconde por trás de tantas manias assustadoras?

O Desaparecimento de Lady Frances Carfax – A herdeira de uma grande fortuna desaparece de forma misteriosa. Todos os seus conhecidos estão muito preocupados, especialmente pela aparente falta de indícios de algum crime. No entanto, o que parecia ser sem explicação pode ser resolvido quando Holmes e Watson entram em cena.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

A Aventura do Detetive Moribundo – Holmes não para nem quando está doente. Acometido de uma febre desconhecida da medicina e altamente contagiosa, ele fica de molho por dias, mas isso não o impede de resolver mistérios quando aparecem.

O Último Caso: O Serviço de Sherlock Holmes no Esforço de Guerra – É o conto que encerra o livro e, também, literalmente, a história do detetive consultor. Holmes e Watson são convocados pelas forças britânicas a desmantelar um esquema alemão antes que saísse do papel. 

Mantendo a tradição, todos os contos são narrados pelo ângulo de Watson, exceto pelo último, o qual está em terceira pessoa. Mesmo com essa diferença, não achei ruim a experiência de leitura, pois foi uma bela forma de dar fechamento às aventuras da dupla, deixando Watson brilhar como um dos protagonistas. Além disso, como ambos estão mais velhos, percebi que se entenderam ao longo da carreira.

Se no começo Watson tinha até certo receio de dividir o apartamento com a persona peculiar de Holmes, agora, anos depois, eles se respeitam e até se admiram, o que muito me chamou atenção. De maneira especial, Holmes mantém certo respeito por Watson, de uma forma tão cordial e tão verdadeira, que mostra o quanto ele amadureceu, embora certas manias ainda persistam (rsrsrs).

“Mas havia algo no raciocínio frio de Holmes que tornava impossível para mim me acovardar diante de qualquer aventura que ele pudesse propor.”

Watson, por sua vez, é um narrador singular, mas também amigo e fã do detetive consultor. Fica nítida sua admiração pela inteligência de Sherlock e o quanto ele mesmo aprendeu com as táticas de dedução.    

Se eles já formavam uma dupla imbatível quando jovens, agora mais velhos, estão mais fortes do que nunca. Nada passa batido e eles resolvem os mistérios de maneira espetacular, fazendo-me de trouxa em boa parte dos contos (rsrsrs).   

Dentre os que citei, os que mais gostei foram o do detetive moribundo e o de despedida. O primeiro mostra um comportamento irritante de certa forma, mas também comum em muitos workaholicsque não conseguem descansar, nem quando precisam obrigatoriamente

Para completar, Holmes já é um personagem de muitas manias ao estar saudável, doente, é ainda pior. Foi um verdadeiro exercício de paciência do próprio Watson e até meu, ler as passagens e imaginar Holmes sem parar quieto, querendo trabalhar.

“Devemos recorrer ao velho axioma de que, quando todas as alternativas falham, o que resta, por mais incrível que pareça, deve ser a verdade.”

E o de despedida foi especial. Além de ser ambientado em um momento crítico da nossa História, é, literalmente, o “adeus” dessa dupla que ganhou meu coração de leitora. Terminei com certa nostalgia das aventuras e dos personagens.   

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Para minha vantagem, eu não li os livros em ordem cronológica, então, ainda deve ter várias aventuras deles para eu conferir ainda. Mas agora sei como terminam suas trajetórias e não deixo de ter saudade.   

Foi uma boa leitura, que concluí devagar, pelo simples motivo de querer ficar mais tempo com eles e apreciar lentamente suas últimas aventuras. Se não fosse por isso, com certeza teria lido em apenas um dia, de tão fluidos que eram os contos.

Falando sobre o livro em si, eu li a versão da Principis, já recorrente aqui no blog. É uma edição mais em conta, então não posso exigir muito também. A capa é bem mais chamativa do que qualquer outra do selo, com tons de rosa bem “cheguei” e o título em azul, trazendo a lupa e o cachimbo de Holmes em destaque.   Ainda, a diagramação e revisão estão bem feitas, a fonte é confortável à leitura e as páginas são mais grossinhas e de fácil manuseio, conferindo uma boa experiência.

Só achei curioso que, pela primeira vez, reparei nos nomes dos tradutores. E para um livro relativamente curto, ele contou com um time de especialistas formado por mulheres.

Isso muito me chamou atenção e irei reparar nas minhas próximas leituras estrangeiras. Além disso, o fato de ter várias tradutoras me fez questionar se a leitura teria algum obstáculo, pois cada uma poderia traduzir de uma forma diferente e dar a impressão de experiência mais cansativa. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

No entanto, o fato de serem contos avulsos ajudou a deixar a leitura fluida e sem essa impressão. Se não fosse o nome delas abaixo de cada título, nem saberia que eram pessoas diferentes, de tão parecidas que ficaram as traduções.   

Em resumo, recomendo a leitura, especialmente se você gosta de mistérios mais clássicos com uma pegada leve e sem gatilhos.

  E aí, já leram esse livro? Me contem aí! 

Obs.: Texto revisado por Emerson Silva 

Postado por:

Hanna de Paiva

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