9 de julho de 2020

Olho de Hórus – Everton Gullar

Olá meu povo, como estamos? Hoje trago a resenha de Olho de Hórus, a continuação da Trilogia Capital, do autor parceiro Everton Gullar. Algumas coisas nesse segundo volume podem ser consideradas spoilers do primeiro livro, Assassinos de Anúbis. Estejam avisados!

Olho de Hórus | Everton Gullar
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

23/12
Livro: Olho de Hórus
Autor: Everton Gullar
Editora: Gullar Edições
Páginas: 202
Ano: 2020
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Sáfir vive em paz, com Juliana e Linda. Deixou de ser Tomate-cereja, agora busca a tranquilidade de seu jardim até seu destino esbarrar com o de Avenida, um cachorro sem raça definida, agonizando dentro de um saco, muito ferido. Enquanto isso Marjorie/Paloma busca respostas para mais uma perda na sua vida. 
Ao mesmo tempo que eles tentam resolver seus problemas particulares, um reagrupamento será inevitável para descobrir quem é o Olho de Hórus!
Agora eles precisam juntar as peças deste quebra-cabeça, e segredos do passado podem ajudá-los nesta jornada para enfim vencer a guerra.
Anúbis, deus dos mortos e moribundos contra Hórus, deus dos céus e dos vivos, protetor dos faraós. O choque entre deuses, entre homens que estão em lados opostos.

Olho de Hórus | Everton Gullar
Depois de tomar 16 tiros e sobreviver, Safir Opal, mais conhecido pelo codinome Tomate-Cereja, ganhou a fama de “imortal” entre os Assassinos de Anúbis e resolveu curtir sua aposentadoria com seu grande amor. Juliana, a moça que o largou no primeiro livro, acabou fazendo as pazes com Safir e agora eles vivem seu momento “felizes para sempre”, ao lado de Linda, a filha que Juliana teve com o amante, mas que Safir aceita como se fosse sua.
A vida deles segue tranquila, Safir continua tomando seus medicamentos, o que o faz ter menos cara de doente, porém suas consultas ao médico continuam. E foi no caminho de uma delas que ele e Juliana presenciaram uma cena desprezível e inesperada: o abandono de um saco de lixo no meio da calçada, do outro lado da rua…
O saco de lixo nem era um problema, o mais louco era que o saco… se mexia! Somado a isso, a cena inusitada do cidadão agindo como se estivesse cometendo um crime, foi o suficiente para Safir e Juliana perderem a consulta, para investigar o tal saco de lixo. E deram de cara com, nada mais, nada menos, que um cachorro! Abandonado num saco de lixo, por ter uma ferida feia no pescoço!
Safir e Juliana tiveram a atitude mais humana que poderiam ter: salvaram o cachorro, levando até uma veterinária mais próxima e cuidando do cachorro, que logo caiu nas graças de Linda e foi batizado de Avenida, em homenagem ao local onde foi encontrado. Linda apenas sabe que o cachorro estava machucado e foi socorrido, mas Safir e Juliana sabem o que realmente aconteceu e querem fazer justiça para Avenida.
Como uma vez Assassino de Anúbis, sempre Assassino de Anúbis, Tomate-Cereja recorre aos seus amigos, agora liderados por Talico, sobrinho de Lauro, para investigar o pecador que abandonou o cachorro. Tomate-Cereja, então, descobre que o abandono de Avenida era apenas uma parte de todo um esquema liderado por um inimigo desconhecido, porém tão antigo quanto a origem dos Assassinos de Anúbis, o Olho de Hórus.
O problema é que o Olho de Hórus está ficando mais forte, sendo agora uma ameaça real aos Assassinos de Anúbis. E a grande pergunta é: quem vence essa guerra eterna?

“Às vezes precisamos nos levantar contra coisas terríveis, mesmo se estivermos sozinhos.”

Quando terminei de ler Assassinos de Anúbis, eu estava impressionada com tanta coisa que aconteceu, especialmente com Tomate-Cereja. Foi minha primeira experiência com um thriller/noir e achei sensacional. Estava bem curiosa pela continuação dessa saga.
Tomate-Cereja tenta ser um cara normal, mas sua missão acaba lhe chamando, mesmo que ele não queira. Ele tem seu próprio senso de fazer justiça com as próprias mãos. E a única opção que tem para fazer isso é entrando em contato com quem não queria mais: os Assassinos de Anúbis.
Apesar de terem lhe dado uma vida e um motivo para lutar por ela, os Assassinos de Anúbis também o afastavam de Juliana e Linda. Tomate-Cereja sabe que ama as duas, mas para isso, ele sabe também que precisa ser o herói de Linda, assim ele parte em missão de vingança pelo abandono de Avenida.  
 
Ele tenta ser um cara legal, mas esconde uma depressão e tendência ao suicídio. Talvez por isso ele aceite essas missões bem perigosas dos Assassinos de Anúbis. Mas parece que o destino não quer que ele morra, coisa que ele associa aos seus olhos brilhantes e fortes, o único ponto que ele admira em si mesmo e acha que o mundo nota o mesmo. Se são os seus olhos ou não, a verdade é que ele é duro de matar e, não importa quantos tiros tome, sempre será o “imortal” e lendário Tomate-Cereja, eterno líder dos Assassinos de Anúbis, que deixa seus inimigos com medo… e com raiva também.
 
 

 

“Os homens sempre buscam a cura para salvar a Humanidade dos perigos e o perigo são os homens.”

 

 
 
Enquanto isso, do outro lado do Estado, Paloma Francis, o novo codinome da herdeira do grupo Lã Cicic, está em perseguição dos responsáveis pela morte de Bengala, seu grande amor no primeiro volume. Ela está bem pistola depois que soube como seu grande amor morreu e quem foi os responsável. Sempre uma rebelde sem causa, agora ela tem uma causa mais que plausível para fazer a justiça de Anúbis aos seus inimigos.
Embora em missões diferentes, os dois vão descobrir, da pior forma possível, que tanto o abandono de Avenida quanto o assassinato de Bengala podem estar amarrados ao Olho de Hórus, um inimigo antigo e mortal dos Assassinos de Anúbis. Tomate-Cereja e Paloma se reencontram no Hospital Estadual de Transplantes, agora dirigido por Talico, o sobrinho de Lauro. De acordo com Talico, todos os Assassinos estão ameaçados pelo Olho de Hórus, que prega um mundo de equilíbrio, mas esse equilíbrio é bem torto, ao meu ver.
Enquanto os Assassinos tem sua forma justiceira de “limpar” o país, o Olho de Hórus prega que apoio da vida e da paz, mas isso é só para inglês ver. O tempo todo, vemos que ambos os lados lideram ideias tortos e é complicado decidir para que lado torcer. Isso porque ambos dizem que fazem o bem, mas isso depende de quem olha o quê. Eles brigam tanto entre si, que suas faíscas acabam respingando em pessoas inocentes e sendo alvo de manchetes nos jornais.

“[…] As pessoas são assim, e uma pequena parcela segue lutando por coisas simples, óbvias, mas os comuns não percebem e seguem como zumbis caminhando em direção ao precipício.”

 Enquanto eles tentam bancar uma briga eterna para ver quem é o mais forte, somos apresentados a um verdadeiro jogo de xadrez, onde vence quem tiver a melhor estratégia. Com capítulos narrados em primeira pessoa, aos poucos vamos entendendo a rixa entre os grupos através das visões de Tomate-Cereja e Paloma, pelo lado dos Assassinos de Anúbis.
E, pelo lado do Olho de Hórus (ou não?), temos a visão de uma pessoa que muito me surpreendeu, pois ele agiu como mero coadjuvante no primeiro volume, quase sem holofotes. Mas agora vai mostrar que tem uma sede de vingança infinita e está disposto a tudo para cumprir seus planos até o final, mesmo sabendo que está sendo usado como um peão…
Além de nossos personagens já conhecidos, temos um personagem novo, Polpo, que vai nos contar sua versão dos fatos, como um espectador dos fatos, mas que pode mudar toda a guerra de uma hora para outra, dependendo do lado que ele seguir. Acho interessante quando o Everton divide os capítulos assim, pois tenho a sensação de ter uma visão ampla dos fatos, sem ficar só com uma opinião parcial dos eventos.
Cada um tem sua personalidade, cada um tem o seu jeito e, aos poucos, vamos entendendo os motivos que os levaram a chegarem onde estão e como sairão dessa.Ninguém é perfeito nos Assassinos de Anúbis. Eles agem como juízes, mas tem vários pecados nas costas, pelos quais buscam redenção, de sua forma. Enquanto isso, do lado do Olho de Hórus, todos defendem o equilíbrio do mundo, mas não passam de ideias tortos, com defesa de uma nação “purificada”, também à sua maneira.

“O mal continua no mundo, o mal é infinito porque as pessoas são em essência más e cheias de contrariedades misturadas com valores de natureza duvidosa.”

Ninguém é herói aqui. Ninguém tem coração puro, talvez por isso fique difícil torcer por alguém, embora admire principalmente as ações de Tomate-Cereja em alguns momentos. No entanto, mesmo sendo cenas fortes e perturbadoras, a escrita de Everton se mantém fluida e direta. Então passamos bem rápido pelos fatos, com muito “tiro, porrada e bomba” para completar.
Uma coisa que achei interessante foi que o autor consegue dosar muito bem as cenas. Apesar de rápidas, temos cenas mais suaves e até cômicas, intercaladas com cenas mais fortes e de ação. Essa alternância foi perfeita para deixar o livro mais dinâmico. Amei! Todas as cenas são bem descritas, de forma que consegui me ambientar bem nos cenários.
Para falar a verdade, eu gostei mais desse livro do que do primeiro, talvez por ter mais ação e me lembrar mais filmes do estilo. O que me fez gostar dele também foi que o autor soube trabalhar não apenas com os personagens principais, mas também com os secundários, como a própria Paloma, por exemplo.
Aqui eles ganham mais presença e souberam aproveitar bem os minutos de fama, que espero poder rever no terceiro volume. Outra coisa que me impressionou é que o Everton conseguiu me fazer de trouxa total. Fiquei me perguntando várias vezes se o tal personagem coadjuvante, que ganhou espaço agora, era o vilão ou o mocinho (se é que temos mocinhos nessa trilogia).
A cada parágrafo eu me perguntava, ora defendia, ora julgava… e, por fim, a situação teve um giro de 360° que me deixou de queixo caído e me perguntei “por que não pensei nisso antes?!”. Poucos foram os livros que me prenderam dessa forma e fiquei impressionada mesmo. O final de Olho de Hórus é meio aberto, para nos dar o gancho do terceiro volume, que estou bem ansiosa para saber como vai ser.
Assim como no primeiro volume, temos uma espécie de Brasil alternativo, com personagens que são fictícios, mas podem muito bem ser associados a personagens políticos e de escândalos que passaram em algum jornal. Logo, não é difícil imaginar suas ações, nem o que defendem. Aliás, esse é um livro que não tem o intuito apenas de entreter, ele te faz pensar.

“O inimigo é bem mais forte quando acredita no absurdo.”

Pensar sobre nossos votos, sobre o que lemos nas notícias, sobre nosso poder de interpretação e ao que ele pode levar, sobre nossos desejos e o quanto estamos dispostos a ir por eles. É uma trilogia bem interessante, principalmente para se ler nesse momento de isolamento, em que tendemos a ser mais reflexivos.
Olho de Hórus | Everton Gullar
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna
Com relação ao livro em si, ele está disponível apenas em ebook, então posso falar que é um livro com revisão bem feita e de fonte legível. Além disso, nossa estrela da capa, dessa vez, é a Paloma Francis, que mostrou seu valor nesse segundo volume. Somando tudo, dou nota máxima ao livro e recomendo a leitura, principalmente se você está em busca de obras nacionais e de boa qualidade.
Já tinham lido essa trilogia? Conhecem outros livros do Everton? Me contem aí, bora conversar!
Postado por:

Hanna de Paiva

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