20 de August de 2017

Projeto 52 Semanas: 33/52

Folclore Brasileiro
Foto: Creative Commons
 
Olá meu povo, como estamos? Hoje é dia de Projeto 52 Semanas e, também, semana do Folclore Brasileiro! Isso mesmo! Nós temos uma data nacional (que não é feriado, por isso nem todos se lembram) para comemorar nossa história e nossas lendas pelo Brasil a fora, e hoje vim falar de algumas delas para vocês. Será que as conhece? Vem ver! 
Bom para início de conversa, a palavra Folclore vem do vem do Inglês Folklore, que quer dizer sabedoria popular. E sim, cada Estado do Brasil tem seus folclores, por isso muitos eu nunca nem ouvi falar, mas na sua terra acredito que as crianças morrem de medo dos personagens. 
Outros ficaram bem conhecidos, como Saci, Curupira, Cuca, Iara… por causa das aventuras dos netos de Dona Benta no Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato.
 
Folclore Brasileiro
 
Foto: Adorocinema
 
Nosso conhecidíssimo e fofíssimo Maurício de Souza também fez alguma versões “fofinhas” de alguns personagens em seus quadrinhos.
 
Folclore Brasileiro
 
Foto: Maurício de Souza

 

Folclore Brasileiro
 
Foto: Maurício de Souza
 
Engraçado que sendo retratados de maneira “fofinha”, esses personagens não costumam causar tanto medo. Afinal, são amiguinhos e brincam com os personagens de gibis e livros que passaram por gerações. não teriam porque meter medo na gente. Mas vocês pararam para ler de fato as lendas desses personagens? Se nunca fez isso, hoje vamos conhecer algumas delas, e vamos ver também se sua opinião sobre eles serem “fofinhos” muda também. 
 
 

1. ?Saci Pererê

 
Folclore Brasileiro
 
Kambaí em Guarani ou Iaci Pereê em Tupi
 
Não! Vocês não estão vendo a imagem errada! Este é o verdadeiro “Saci” brasileiro! E não, ele não se chama Saci Pererê, o nome dele em Guarani é Kambaí, também conhecido em Tupi como Iaci Pererê, ou no Amazonas como Matinta Perera.
 
Folclore Brasileiro
 
 
E, de acordo com Olívio Jekupé, um índio Guarani (fonte original), Kambaí está longe de ser um menininho arteiro, com um cachimbo e uma perna só. Na real, o Kambaí é um índio, tem duas pernas e usa um colar chamado Baêta, que lhe dá poderes de imortalidade e de ajudar os homens nas florestas. Completamente diferente da versão que conhecemos por Monteiro Lobato, né?
 
Mas Hanna, e aquele serzinho com a carapuça e o cachimbo?! De onde vem?! Se ele não é o Saci, então por que cargas d’água ele é mencionado?! 
 
 
Folclore Brasileiro
 
Ossaim
 
 
Então, essa foto que vocês estão vendo aí em cima, que conhecemos como Saci Pererê, na real se chama Ossaim e vem da África! O personagem negro, de uma perna só, cachimbo e carapuça, foi trazido pelos escravos mais velhos. Para se proteger dos castigos dos brancos, eles misturaram Ossaim com Iaci Pererê, o que resultou no Saci Pererê. 
 
 

2. Mula sem cabeça

 
 
Folclore Brasileiro
 
 
A lenda da Mula-Sem-Cabeça é de origem desconhecida e é evidenciada em todo Brasil. De acordo com as regiões, sofre alguma modificações, principalmente no nome, passando a ser chamada, por exemplo, de: Mulher de Padre, Mula de Padre, Mula Preta, entre outros.
Não se sabe ao certo como surgiu o primeiro caso, porém segundo pesquisadores seria resultado de uma maneira de pensar, comportar-se e agir tipicamente relacionado a Igreja Católica. Pois na sua origem a criatura seria o resultado de um pecado (aos modos,costumes,princípios,e condutas da Igreja Católica), que acontecia com todas as mulheres que mantivessem uma relação amorosa com um padre.
O que podemos deduzir segundo muitos estudos sobre esta lenda que as mulheres que frequentavam igrejas nunca poderiam ver o Padre como um homem, e sim como uma “criatura especial” quase um Santo, pois estava se mantendo e vivendo para pregar a palavra de Jesus Cristo, Deus e Santos, e caso alguma mulher pensasse em namorar com um Padre saberia que viraria uma Mula-sem-cabeça. 
Algumas pessoas juram já ter visto a criatura, e segundo elas a Mula-Sem-Cabeça tem as seguintes características: É uma mula, de cor marrom ou preta; não apresenta cabeça no lugar apenas fogo; possui em seus cascos ferraduras que podem ser de aço ou prata; seu relincho é muito alto que pode ser ouvido por muitos metros e é comum gemer como um ser humano; ela costuma aparecer somente durante a noite, e principalmente quinta ou sexta-feira, principalmente se for noite de Lua Cheia. 
Segundo a Lenda existem duas maneiras de acabar com o encantamento que fez a mulher virar Mula-Sem-Cabeça, a primeira consiste em uma pessoa arrancar o cabresto que ela possui, a outra forma é furá-la tirando sangue (uma gota no mínimo, com um alfinete virgem) [Fonte].
 
 

3. Curupira

 
 
Folclore Brasileiro
 
 
Também conhecido como Caipora, Pai do Mato, Mãe do Mato, Caiçara, Caapora, Anhanga, dependendo da região. A versão mais comum seria a de que o Curupira seria estatura baixa, cabelos avermelhados (cor de fogo) e pés voltados para trás. Além disso, sua função é proteger as plantas e animais das florestas. Seus alvos principais são os caçadores, lenhadores e pessoas que destroem as matas de forma predatória. 
   
Para assustar os caçadores e lenhadores, o curupira emite sons e assovios agudos. Outra tática usada é a criação de imagens ilusórias e assustadoras para espantar os “inimigos da florestas”. Dificilmente é localizado pelos caçadores, pois seus pés virados para trás servem para despistar os perseguidores, deixando rastros falsos pelas matas.
Além disso, sua velocidade é surpreendente, sendo quase impossível um ser humano alcançá-lo numa corrida. De acordo com a lenda, ele adora descansar nas sombras das mangueiras. Costuma também levar crianças pequenas para morar com ele nas matas. Após encantar as crianças e ensinar os segredos da floresta, devolve os jovens para a família, após sete anos. 
   
O ser que costuma punir os agressores da Natureza e o caçador que mata por prazer seria muito poderoso e forte, para o maior medo dos jesuítas. Mas o que pouca gente sabe é a origem do Curupira. Ele vem da tribo Tupi, embora a variação dos nomes venha dos Tupi-Guaranis, aqui do Sudeste. 
 
Existem entidades semelhantes entre quase todos os indígenas das Américas Latina e Central. Em El Salvador, El Cipitío, é um espírito tanto da floresta quanto urbano, que também tem as mesmos atributos do Caipora. Ou seja pés invertidos, capacidade de desorientar as pessoas, etc. Mas, este El Cipitío, gosta mesmo é de seduzir as mulheres [Fonte]. E, se por acaso aparecer em Manaus, tenha muito cuidado, pois tem quem diga que o Curupira foi visto passeando numa noite dessas. E essa seria sua verdadeira forma.
 
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4. Cuca

 
 
Folclore Brasileiro
 
Foto: Creative Commons
 
 
A Cuca é um dos principais seres mitológicos do folclore brasileiro. Ela é conhecida popularmente como uma velha feia na forma de jacaré que rouba as crianças desobedientes. No entanto, a Cuca é portuguesa. Sua origem vem de um suposto dragão, coca das lendas portuguesas, tradição trazida para o Brasil na época da colonização. 
 
Diz a lenda, que a Cuca rouba as crianças que desobedecem a seus pais. A Cuca dorme uma noite a cada 7 anos, e quando fica brava dá um berro que dá pra ouvir à 10 léguas de distância. Pelo fato da Cuca praticamente não dormir, alguns adultos tentam amedrontar as crianças que resistem dormir, dizendo que se elas não dormirem, a Cuca irá pegá-las [Fonte].
 
 

5. Boitatá

 
 
Folclore Brasileiro
 
 
Também conhecido como “fogo que corre”, o boitatá, no folclore brasileiro, é uma grande cobra de fogo. Ele foi citado pela primeira vez em 1560, num texto do padre jesuíta José de Anchieta. Além disso, muitos relatos de portugueses envolviam chamas azuladas próximo a covas nos cemitérios.
 
Na língua indígena Tupi, “boi” significa cobra e “tata” fogo. De acordo com a lenda, o Boitatá protege as matas e florestas das pessoas que provocam queimadas. Ele vive dentro dos rios e lagos e sai de seu “habitat” para assombrar e queimar as pessoas que praticam incêndios nas matas. 
 
De acordo com a lenda, o Boitatá possuiria a capacidade de se transformar num tronco de fogo e passaria grande parte do tempo rastejando pelas florestas na escuridão da noite, pois é uma alma penada que deve pagar seus pecados desta forma. Mas no Sul do Brasil, a explicação para o surgimento da cobra de fogo está relacionada ao Dilúvio. Após o Dilúvio, muitos animais morreram e as cobras ficaram rindo felizes, pois havia alimento em abundância. Como castigo, a barriga delas começou a pegar fogo, iluminando todo o corpo.
 
Maaaaas, como eu amo a Ciência, ela explicou o lance do Boitatá. Na real a chama azulada dos cemitérios (que também pode ser vista em pântanos) vem de corpos (humanos e também de outros animais) em decomposição, que atraem uma série de bactérias que aceleram o processo.
Com a decomposição, ocorre o acúmulo dos gases metano e fosfina. Aos poucos, esses gases vão à superfície e, ao entrarem em contato com o ar, entram em combustão. Além disso, o verdadeiro nome desse fenômeno é fogo-fátuo e ele não dura mais do que poucos segundos. 
 como o fogo faz com que as pessoas se assustem, é muito comum que quem está perto das chamas saia correndo. Nessa situação, o deslocamento de ar faz com que o fogo-fátuo siga os pés da pessoa, causando a impressão de que é uma cobra flamejante [Fonte]. 
  
 
 

6. Iara

 
 
Folclore Brasileiro
 
Essa é a sereia geralmente chamada Iara… 
 
 
Iara é um dos mitos mais conhecidos e também dos mais confundidos da região amazônica, o que naturalmente inclui o Pará. Geralmente as pessoas acham que a Iara é uma mulher loura, de olhos azuis e a parte inferior do corpo em forma de peixe. Esta descrição na verdade é da sereia européia e não da Iara amazônica. Além disso, Iara também é confundida com a Iemanjá africana e na verdade nada tem a ver nem com uma nem com outra. 
 
Folclore Brasileiro
 
E essa seria a real Iara…
 
Na verdade, a Iara seria uma linda mulher morena, de cabelos negros e olhos castanhos. De beleza ímpar, os que a vêem nua a banhar-se nos rios não conseguem dominar seus desejos e atiram-se nas águas e nem sempre voltam ao mundo dos vivos.
Os que o fazem, voltam assombrados, falando em castelos, séquitos e cortes de encantados, e é preciso muita reza e pajelança – e de um pajé com muita força – para tirá-lo do estado de torpor. Alguns a descrevem como tendo uma cintilante estrela na testa, que funciona como chamariz para atrair o olhar e assim ser facilmente hipnotizado. 
Dizem os índios, que é tão linda que ninguém resiste ao seu encanto e costuma arrastar as pessoas com seu canto mágico para o fundo das águas. Os índios tem tanto medo da Iara, que ao entardecer evitam ficar perto dos lagos e rios [Fonte]. 

 

7. Mapinguari

 
 
Folclore Brasileiro
 
 
 
Os caboclos contam que dentro da floresta vive o Mapinguari, um gigante peludo com um olho na testa e a boca no umbigo. Para uns, ele é realmente coberto de pelos, porém usa uma armadura feita do casco da tartaruga, para outros, a sua pele é igual ao couro de jacaré.
Segundo a lenda, alguns índios, ao atingirem uma idade mais avançada, evoluiriam e se transformariam em Mapinguari, passando a habitar o interior das florestas passando a viver apenas no seu interior e sozinhos. Há também quem diga que seus pés têm o formato de uma mão de pilão.
O Mapinguari emitiria um grito semelhante ao grito dado pelos caçadores. Se alguém responder, ele logo vai ao encontro do desavisado, que acaba perdendo a vida. A criatura é selvagem e não teme nem caçador, porque é capaz de dilatar o aço quando sopra no cano da espingarda [Fonte]. 
 
Quando anda pela mata, vai gritando, quebrando galhos e derrubando árvores, deixando um rastro de destruição. Outros contam que ele só aparece nos dias santos ou feriados. Dizem que ele só foge quando vê um bicho-preguiça. O que ninguém explica é porque ele tem medo justamente do seu parente, já que é considerado um bicho-preguiça pré-histórico. 
Devido a essa lenda se situar em uma área selvagem e habitada principalmente por indígenas, as evidências físicas são quase nulas, apesar de algumas pegadas estranhas terem sido encontradas na floresta. No entanto, David Oren, um biólogo (amo minha profissão!), acredita que a lenda do Mapinguari tem sim uma base real: a Preguiça gigante. Dentre os gêneros que mais se assemelham ao Mapinguari, o Mylodon e o Megatherium são os mais prováveis responsáveis pelos avistamentos, devido ao seu tamanho. 
 
O gênero Mylodon, ainda, possuía uma característica muito interessante: uma Osteoderme, que é na real um tipo de armadura em sua pele. Essa característica se encaixa como uma luva nos relatos de que o Mapinguari teria uma pele semelhante a de um crocodilo que o protegeria dos tiros. Indígenas que teriam visto a criatura se mostravam impressionados quando apresentados a fotos de recriações de Preguiças Gigantes, alegando que aquele seria o monstro avistado por eles.
 
 

8. Lobisomem

 
 
Folclore Brasileiro
 
Esse é um dos mais antigos e conhecidos personagens, no mundo inteiro. Foi trazido para o Brasil pelos portugueses, mas sua origem é beeeeeeem mais antiga. Vindo da Grécia, quando Licaão, um rei da Arcádia e muito malvado, tinha o hábito de sacrificar seus visitantes para os deuses.
Zeus, desgostoso com o sacrifício recebido, teria transformado o rei num lobo, daí surgindo o Lobisomem. Aqui no Brasil, muitas são as versões da lenda, que incluem uma maldição em famílias nas quais teriam nascido em sequência 6 meninas e o sétimo filho seria homem (o premiado para ser o lobisomem), ou um homem que foi atacado por um lobo e não morreu, seria transformado em lobisomem também… 
 
Mas o interessante é que, apesar dessa história ter sido difundida como lenda, muitas pessoas, inclusive na Idade Média acreditavam tanto, que existem relatos de caçadas aos lobisomens, juntamente com a caça às bruxas (devia ser uma época linda, sqn). E o medo era tanto, que o caso mais grave de caça aos lobisomens foi o de Peter Stummp, um fazendeiro condenado após matar quase 20 pessoas e por praticar o canibalismo. 
Capturado e sob forte tortura, ele teria confessado os crimes e afirmado ter realizado um pacto com o demônio em busca de poderes, inclusive a de transformação. Depois da confissão, ele foi condenado e executado cruelmente. A perseguição dessas supostas criaturas foram realizadas até o século XVIII.
Depois desse período, vários estudiosos começaram a estudar e a recriar histórias associadas ao suposto Lobisomem, dando origem a muitas outras crenças regionais dessa criatura, inclusive o detalhe de que a prata seria o ponto fraco da criatura [Fonte].
 
Um outro detalhe que achei bem interessante, foi que, por ser uma lenda europeia, quando as pessoas se “transformam em lobo”, já repararam que são sempre os lobos que são encontrados no Hemisfério Norte? A foto que escolhi para vocês foi a única representação do lobisomem brasileiro mesmo, no qual ele se transformaria no lobo-guará, o lobo que temos aqui no Brasil. Não tão lindo quanto os europeus, mas ameaçado de extinção. 
 
Lobo Guará
 
Foto: Creative Commons
 
   
Não sei se vocês repararam nas assinaturas da maioria das fotografias, mas eu as retirei de um jogo, chamado Guerreiros Folclóricos. Para quem não sabe (assim como eu até esses dias), é um jogo de videogame, feito por brasileiros e que retratam os personagens das nossas lendas.
O que achei sensacional foi que eles atentaram para os detalhes principais: nossa fauna e nossa flora, mais os detalhes dos personagens. Repararam que em maioria estão adornados com acessórios indígenas? Pois é, são lendas que vieram dos nossos índios, mas normalmente as pessoas se esquecem disso na hora de retratar como seriam os representantes e defensores de nossas matas.
   
E vocês, já tinham ouvido falar dessas lendas? E do jogo? Me contem aí! Bjks e não se esqueçam de passar no Prateleiras da Fê, o blog parceiro nessa jornada! Ah! E se quiserem saber mais sobre o jogo, tem a página deles no Facebook!  
Postado por:

Hanna de Paiva

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