16 de fevereiro de 2021

Amantes das séries | Cidade Invisível

Olá meu povo, como estamos? Hoje eu vou falar sobre uma série que me conquistou logo de cara: Cidade Invisível, um lançamento do catálogo Netflix, baseado num livro “brazuca”.
Cidade Invisível | Netflix
Foto: Divulgação | Netflix

 

Ficha técnica
Série: Cidade Invisível
Gênero: Policial, Fantasia
Ano: 2021
Episódios: 7 (30min em média)
Temporadas: 1 (em andamento?)
País: Brasil
Em Cidade Invisível, um mundo subterrâneo é habitado por criaturas míticas evoluídas de uma linhagem profunda do folclore brasileiro. Em um período conturbado, um detetive se encontra preso em uma investigação de assassinato que o coloca no meio de uma batalha entre esses dois mundos.
Amantes das séries | Cidade invisível

 

O quanto você conhece sobre o folclore brasileiro? E se todas aquelas entidades que te colocavam medo quando criança estivessem entre nós esse tempo todo? E mais, o que você diria se essas entidades vivessem em pleno Rio de Janeiro, curtindo o carnaval e nossas praias, do seu ladinho?
 ‘Cidade invisível’  traz uma proposta nem tão inusitada assim, mas muito criativa. Não é uma ideia totalmente nova, pois quem já assistiu algum episódio de ‘Grimm’ vai notar algumas semelhanças. A série tem um toque de thriller, com as entidades no centro das investigações, e o detetive protagonista tem uma relação com as entidades, um dom, que o faz ver além do que os outros humanos.
Mas a semelhança para por aí, pois aqui não temos mais os seres de contos de fadas, temos seres de nosso folclore, que há muito ficaram esquecidos em nossa cultura. Não sei vocês, mas me lembro que na escola, quando chegava o dia do folclore, minhas professoras do Ensino Fundamental I sempre faziam aquelas lembrancinhas fofinhas com um saci criança, um lobisomem que dava vontade de apertar, de tão fofo que era, um curupira que parecia mais o Peter Pan… Talvez por isso, cresci com a ideia de que essas entidades eram “fofinhas” e não causavam medo.
Mas anos depois, lendo sobre isso, acabou saindo até um post aqui sobre algumas dessas entidades, relatadas de uma forma mais adulta e crível pelo que poderiam ser. E sempre imaginei como seria se esses seres realmente fossem retratados como deveriam ser: adultos, poderosos e fortes, como suas lendas mesmas indicam.

 

Parece que Rapahel Draccon e Carolina Munhoz leram meus pensamentos e acabaram escrevendo uma história incrível exatamente assim. Na série, tudo começa com uma cena de aparente crime ambiental, quando um boto foi encontrado morto numa praia carioca badalada. Mas o que mais chama atenção era que o boto era rosa, que só é encontrado na Amazônia.
No mínimo, seria um crime ambiental grave, já que sugere tráfico de animais. E cabe a Erick Alves, o detetive da Divisão da Polícia Ambiental, investigar. Ele segue os protocolos, mas parece que tudo conspira contra ele, pois o boto acaba ficando na caminhonete dele tempo demais.
Cidade Invisível | Netflix
Foto: Divulgação | Netflix
Enquanto isso, Vila Toré, um vilarejo simples no meio da Mata Atlântica, está passando um perrengue, com um evento inusitado de peixes mortos em massa, sem explicação aparente. Erick não tira da cabeça que ambos os casos parecem estar relacionados. Além disso, todo mundo parece querer pegar o boto rosa da caminhonete de Erick.
E o mais estranho é quando aparentemente conseguem, pois o boto some, e aparece um homem morto no seu lugar! Erick não acredita em lendas, sejam urbanas ou não, mas também não sabe como explicar o sumiço de um boto podre da sua caçamba, muito menos como um homem morto foi parar no lugar.
Além disso, carregar um homem morto num carro em pleno Rio de Janeiro seria um crime ainda maior do que um boto morto. De alguma forma, o homem parece estar relacionado aos peixes e ao boto, mas Erick não tem ideia de como pode explicar isso e não lhe resta muita alternativa, a não ser deixar ao cargo da Homicídios para resolver. Mas o instinto de Erick fala mais alto, pois ele não desiste da ideia de que tudo pode estar relacionado. E vai acabar descobrindo que nem tudo nessa vida tem uma explicação plausível.
Cidade Invisível | Netflix
Foto: Divulgação | Netflix

 

Cidade Invisível | Netflix
Foto: Divulgação | Netflix

 

Se não fosse pelo elenco, eu diria que a série era estrangeira. A fotografia está maravilhosa, o enredo é genial e os efeitos especiais estão perfeitos. Para começar, as entidades não são fofinhas, e muito menos vivem escondidas com medo dos humanos.
Elas vivem na cidade porque os humanos estão desmatando tudo, e as entidades que viviam nas florestas, não tem mais para onde ir. Só aí já seria um caso perfeito para um debate sobre nossa biodiversidade e a importância dos biomas. O que lhes restou foi viver entre nossa sociedade, fazendo o mais próximo que fariam em suas lendas.
Como já saiu nos jornais quem são as entidades apresentadas na primeira temporada, posso adiantar que encontraremos aqui versões mais críveis do Saci, Cururpira, Tutu Marambá, Boto, Iara, Corpo Seco e Cuca. Mas o desafio é descobrir quem é a entidade que está aparecendo em cada episódio. Pela personalidade de alguns, fica até fácil saber, mas outros, nem tanto. Quem mais me surpreendeu foi a Cuca, já que sempre imaginei que seria a forma icônica de um jacaré.
No entanto, vendo os episódios, fui instigada a pesquisar mais sobre as entidades, o que me fez até conhecer mais sobre as variações de nossa próprias lendas. Afinal, a versão de uma Cuca em forma de jacaré é portuguesa, mas aqui no Brasil, os índios tinham uma outra visão da entidade, que os autores souberam explorar muito bem na série e me surpreendeu.
Não apenas a caracterização, mas a personalidade deles ficou muito crível com tanto tempo vendo as matas sendo derrubadas em nome da ilusão de progresso, sem que eles tivessem forças para impedir tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Cidade Invisível | Netflix
Foto: Divulgação | Netflix

 

E acabamos vendo que, por mais poderosos e icônicos que sejam, ainda estão sujeitos às doenças do século, como depressão e dependência de drogas, e ainda são alvos de preconceito. Vendo cada um deles, só me vinha na cabeça que nem tudo é o que parece ser, a nunca mais verei as ruas do Rio de Janeiro com os mesmo olhos, de tão críveis que ficaram os personagens.
Por sua vez, Erick, o detetive que não acredita em nada, é um show a parte. Ele está tentando focar no trabalho desde que perdeu a esposa num incêndio florestal. Ele sempre achou que a esposa era boba, por acreditar em lendas sem sentido. Mas parece que tudo o que ele investiga gira em torno da tudo o que ela acreditava, fazendo Erick ficar cada vez mais confuso e revoltado, já que não consegue se libertar dos próprios fantasmas. Além disso, está sendo complicado manter o foco no trabalho e ser um bom pai depois de tanta coisa acontecendo.
Cidade Invisível | Netflix
Foto: Divulgação | Netflix

 

O personagem mostra bem que não existe vida perfeita, que não é fácil bancar dois papeis e ainda ter tempo de ser feliz 24h. Ele não é um personagem bonzinho o tempo todo, mas acaba sendo cativante, por ser sincero e mostrar o que o ser humano é de verdade, que tem seus dias bons e ruins e tá tudo bem ser assim.
Acho que, mais do que a fantasia e ação, a série vem para mostrar um lado carioca que as pessoas tem medo de retratar além dos jornais. O lado das ladeiras da Lapa, das pessoas mais pobres, que não são aquele glamour o tempo todo que todo turista sonha.
Cidade Invisível | Netflix
Foto: Divulgação | Netflix
Aqui não é o paraíso ideal de se viver, mas ainda assim, temos uma ginga, um jeitinho de viver que é só nosso. E isso ninguém pode tirar da gente. Pelo que li, apenas a primeira temporada foi confirmada, a qual tem 7 episódios bem curtinhos.. Então é bem fácil de maratonar.
Ela teve estreia mundial e vários outros países curtiram bastante essa pegada de investigação com toque fantástico.  Apesar disso, a primeira temporada tem um final mais fechadinho. Então dá para ver e saber como termina o primeiro caso, ao menos. Mas isso não impede que eu sonhe com uma continuação… Super indico a série, especialmente se você quiser aprender mais sobre nossa cultura folclórica e pensar um pouco fora da caixinha.

 

  E aí, vocês já tinham visto essa série? Me contem aí!
Postado por:

Hanna de Paiva

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