2 de março de 2023

Romance com O Duque | Tessa Dare

Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de um gênero que estava há um tempo sem aparecer por aqui: romance de época. Assim, apresento a vocês minhas impressões sobre ‘Romance com O Duque’, da autora Tessa Dare.
Romance com O Duque | Tessa Dare
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

11/60
Livro: Romance com O Duque
Autora: Tessa Dare
Tradução: A. C. Reis
Editora: Gutenberg
Ano: 2016
Páginas: 340
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“Izzy sempre sonhou em viver um conto de fadas. Mas, por ora, ela teria que se contentar com aquela história dramática.”

A doce Isolde Ophelia Goodnight, filha de um escritor famoso, cresceu cercada por contos de fadas e histórias com finais felizes. Ela acreditava em destino, em sonhos e, principalmente, no amor verdadeiro. Amor como o de Cressida e Ulric, personagens principais do romance de seu pai.

Romântica, ela aguardava ansiosamente pelo clímax de sua vida, quando o seu herói apareceria para salvá-la das injustiças do mundo e ela descobriria que um beijo de amor verdadeiro é capaz de curar qualquer ferida.

Mas, à medida que foi crescendo e se tornando uma mulher adulta, Izzy percebeu que nenhum daqueles contos eram reais. Ela era um patinho feio que não se tornou um cisne, sapos não viram príncipes, e ninguém da nobreza veio resgatá-la quando ela ficou órfã de mãe e pai e viu todos os seus bens serem transferidos para outra pessoa.

Até que sua história tem uma reviravolta: Izzy descobre que herdou um castelo em ruínas, provavelmente abandonado, em uma cidade distante. O que ela não imaginava é que aquele castelo já vinha com um duque…

 

Romance com O Duque | Tessa Dare

 

Izzy Goodnight está falida. A queridinha da Inglaterra, conhecida pelos ‘Contos de Goodnight’ perdeu toda a sua fortuna quando seu pai faleceu e os direitos autorais foram passados para o parente masculino mais próximo.
Assim, a mocinha tenta se virar como pode e conta apenas com a fama para garantir um prato de comida e um teto diferente para dormir a cada noite. No entanto, sua sina está prestes a mudar após receber uma carta misteriosa, reconhecendo o seu nome como legatária de um castelo na fronteira.
Crente que sua vida dará uma bela guinada, a jovem parte para o Castelo Gotsley, esperando encontrar um cenário como o dos livros de seu pai, onde viveria como uma verdadeira princesa. Porém só encontrou um castelo em ruínas e habitado por um homem carrancudo e ranzinza, o qual alega ser o legítimo dono do local.
Sem um tostão para voltar à cidade e negando ter caído em um golpe, Izzy não se conforma com a situação e insiste em tomar posse do que é seu por direito. Entretanto, o Duque de Rothbury também não está disposto a largar sua casa só porque uma mocinha chega do nada e manda ele sair. 
Afinal, o castelo é de sua família há gerações. Assim, começa a disputa dos dois pela propriedade, que pode revelar muito mais do que se pensava.

 

“Ela merecia coisa melhor. E eu também mereço.”

 

 

Meu único contato com romance de época foi com ‘Noivas em Fuga’, quando tive o prazer de conhecer a escrita da
Tessa Dare. Desde então, até procurei alguns outros títulos dela, porém ainda não tinha lido. Aproveitei o feriado de carnaval para “desencalhar” alguns e-books do Kindle Unlimited e foi uma boa decisão.
A trama é narrada em terceira pessoa e vemos os ângulos pelo fato de Izzy Goodnight, a queridinha da Inglaterra por conta dos livros de seu pai. Mas também vemos pelo lado de Ramson, o Duque de Rothbury (e que poderia muito bem se chamar Dona Anésia).
 
 
Romance com O Duque | Tessa Dare
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
A moça está com a mão na frente e outra atrás por ter perdido os direitos autorais dos contos que seu pai assinava. Embora seja muito famosa por conta deles, isso não adiantou muito na hora que o testamento foi aberto e ela percebeu que só herdaria mesmo o nome em comum com o dos livros.
Assim, foi uma grata surpresa do destino descobrir que tinha um padrinho rico o bastante para lhe deixar uma herança. Ainda mais uma que foi anunciada em uma hora bem oportuna.
No entanto, sua alegria não durou muito quando, ao chegar no endereço, descobriu que havia recebido de presente um belo elefante branco. Para começar, o Castelo Gostley é lindo, ou ao menos era em seus tempos de glória. No presente momento conta apenas com ruínas e só algumas torres ainda de pé.
Além disso, Izzy toma um susto ao ser recepcionada por um homem carrancudo e ansioso por expulsá-la o mais rápido possível. Ramson tem muito orgulho ao afirmar que a propriedade lhe pertence e que ela caiu no conto do vigário. O que poderia ser verdade, se a mocinha não tivesse um documento comprovando o oposto.
Em meio à disputa para ver quem seria o verdadeiro dono do castelo, os dois se recusam a sair do que lhes pertence. Obviamente que o rapaz não está nem um pouco feliz com isso, muito menos ela. Mas a situação está cada vez mais confusa e eles precisam resolver o quanto antes.

 

“Nenhum homem merece uma mulher como ela. É preciso penhorar a alma para conquista-la e passar o resto da vida pagando os juros.”

 

Com uma escrita leve e despretensiosa, a autora nos imerge no cenário vitoriano, somado a ares de castelos antigos e trajes elegantes. E com poucos personagens, é bem fácil de se apegar a cada um deles.
Gostei bastante dos protagonistas, aliás, por serem fora dos padrões. Enquanto muitas moças poderiam ser debutantes disputadas pelos membros da corte, Izzy era apenas mais uma na multidão. No auge dos seus 26 anos era considerada uma solteirona por nunca sequer ter sido cortejada.
No entanto, devo dizer que me irritei um pouco com o motivo que ela arranjou para justificar isso. O tempo todo batia na tecla de que não era bonita, de que não tinha o cabelo perfeito, nem a altura adequada e que por isso os homens não olhavam para ela. Até entendo que casamentos eram o auge da vida de uma pessoa naquela época, mas ela falava a quase todo capítulo e eu já não aguentava mais a sua insegurança dela.
Além disso, eu sei que ainda em pleno século XXI existe preconceito com cabelo cacheado. E até muitas mulheres não aceitam, alegando que é coisa de pobre ou de desleixo. Naquela época também deveria ser assim ou até pior.
Contudo, como dona de cabelos cacheados, eu fiquei incomodada com a forma como Izzy lidava com os seus. Reclamava tanto dele, por não saber lidar com grampos, que ainda falou de forma indireta que era um “cabelo ruim por não ser liso”.
 
 

 

Romance com O Duque | Tessa Dare
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
Sei que é um pequeno detalhe e preciso levar em consideração a época em que se passa a história, mas não posso deixar de me sentir mal lendo essas passagens. Ainda mais por eu gostar tanto do meu (e sim, sofro preconceito por ele também ainda hoje, mesmo com tantos movimentos a favor dos cachos).
Ramson, por sua vez, é um homem recluso e que odeia gente. Em seus tempos de juventude, arrebataria o coração de qualquer mulher, com seu charme e porte de galã. Mas esses tempos acabaram desde que ele se mudou para bem longe da civilização.
Conhecendo o duque de perto, é possível entender o motivo que o fez sair de cena tão furtivamente. Aliás, vendo a personalidade dele, me lembrei logo d’A Fera de ‘A Bela de A Fera’. A verdade é que o rapaz não curte muito a ideia da presença de Izzy, mas não consegue esconder o quanto ela mexe com ele por
diversos motivos.

 

“Amor não é algo que eu saiba como oferecer.”

 

Um deles é que a moça pode ajudar o duque a entender como que um castelo em ruínas tem dois donos ao mesmo tempo. E o outro é que ela mexe com sentimentos adormecidos há muito tempo, além da boa educação enferrujada por falta de uso. Aos poucos, as farpas desses dois se revelam o que realmente significavam desde o começo.
Que vai haver um romance entre esses dois, é um tanto óbvio, dado que o próprio título diz isso. Então, não foi uma grande surpresa ver a atração que existe eles entre esses dois. Mas ver como lidam com isso é que deu graça à leitura.
Está na cara que o sentimento é mútuo, porém não admitem. Isso gera cenas bastante cômicas e que fazem a leitura ser mais fluida. No entanto, a autora usou de um clichê que achei estar aposentado há um tempo: de mocinha atrapalhada. 
Ela tem 26 anos! Podia ao menos se comportar como uma adulta de vez em quando. Ramson, por outro lado, podia ter seus momentos de maturidade, mas no fundo é um playboy do século XIX, que não sabe ouvir um “não” sem fazer bico. Por conta disso, mesmo me divertindo bastante, passei raiva em alguns momentos.

 

“Não sou o herói de ninguém, Srta. Goodnight. É bom você se lembrar disso.”

 

Os personagens secundários, por sua vez, também têm sua chance de brilhar. Como verdadeiros fãs dos ‘Contos de Goodnight’, Duncan (o mordomo do duque) e Abigail (filha do vigário local) formam uma dupla perfeita. Esses dois
estão sempre presentes e dão um toque mais leve nas cenas. Ainda, são verdadeiros amigos e dão uns puxões de orelha quando necessário (mesmo que a pessoa em questão seja a queridinha da Inglaterra).
Não apenas eles, mas diversos outros amantes dos livros aparecem em cena, o que gostei bastante, por sinal. Achei incrível como a autora conseguiu inserir uma obra dentro da principal sem ficar denso, nem confuso. Pelo contrário, achei criativo e queria saber mais. 
Além disso, achei que a Tessa retratou bem a vida de um leitor quando conhece seu autor favorito (ou o mais próximo disso) e demonstra seu amor pela leitura. Me senti bem representada nessa hora e ri bastante com diversas situações que só quem ama muito uma série de livros hypados vai entender.
A trama se desenvolve muito bem e tem um desfecho previsível e até aceitável, digno de romances românticos. No entanto, não foi dos mais perfeitos. Embora sejamos apresentados a poucos personagens principais, os secundários são mais representados, o que deu margem para muitas subtramas. Mas nem todas elas foram respondidas de modo satisfatório.
 
 
 

 

Romance com O Duque | Tessa Dare
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

 

 
 
Alguns fatos foram jogados de forma que pareciam extremamente importantes, em especial envolvendo mistérios do próprio castelo. Porém, foram esquecidos como se nunca tivessem sido mencionadas. O mesmo se deu com pessoas importantes do elenco, os quais sumiram como um mero “puf!” e não soube que destino tiveram.
Acho que a autora se preocupou muito em detalhar cenas mais quentes (que aliás estavam muito bem feitas), mas esqueceu do principal: o motivo que levou ao encontro dos protagonistas. As respostas, por sua vez, chegaram de forma tão abrupta que pareceram terminadas de qualquer jeito, para dar um toque de contos de fadas na história.
No entanto, por mais que tivesse essa vibe mesmo, até por conta das origens de Izzy, não combinou muito com o que vinha sendo apresentado até o momento. Então, confesso que fiquei um tanto decepcionada, pois esperava uma coisa e recebi outra bem diferente.
Falando sobre o livro em si, li em versão digital. Assim, posso dizer que tem uma diagramação bem feita e uma revisão muito boa. A fonte é confortável à leitura e a capa é clássica de romances de época, mostrando o que iremos encontrar. 
No entanto, eu acho que a mocinha retratada na foto deveria ser a Izzy com cabelos cacheados. O que não foi respeitado, pois colocaram uma moça de cabelos lisos em seu lugar. Sei que estou sendo chata com isso, mas são detalhes que me chamaram atenção e preciso compartilhar.
Resumindo, apesar das ressalvas, é um livro que gostei de ter conhecido e recomendo a leitura. Em especial, se quiser sair de uma ressaca literária. 
 
 
 
 
 
Texto revisado por Emerson Silva

 

Postado por:

Hanna de Paiva

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