20 de October de 2026

Um Brinde de Cianureto | Agatha Christie

Olá meu povo, como estamos? Para quem acompanha o conteúdo do blog há um tempo, sabe o quanto eu amo a escrita da rainha Agatha Christie, assim como o projeto de ler as obras dela a longo prazo. Pois bem, o projeto deu mais um passo e hoje trago minhas impressões sobre ‘Um Brinde de Cianureto’.  

Livro: Um Brinde de Cianureto   

Autoria: Agatha Christie

Tradução: Natalia Borges Polesso

Editora: Harper Collins

Ano: 2024 (Original em 1945)

Páginas: 256

País: Inglaterra

Formato: Impresso 

Nota: 4.5/5

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Onze meses se passaram desde a morte da bela Rosemary Barton. A memória do trágico jantar onde ela se envenenou ainda assombra amigos e familiares que estavam presentes. Os eventos daquela noite se tornam ainda mais misteriosos quando Mr. Barton começa a receber cartas anônimas que indicam que a morte de Rosemary não foi um suicídio, como o relatório da polícia indicava.

Mas quem poderia ter desejado a morte de Rosemary? Um marido traído, uma irmã invejosa, um amante ciumento ou uma esposa em busca de vingança? A única certeza é que nenhuma das pessoas que foram ao jantar naquela noite estava dizendo a verdade.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

George Barton não poderia estar mais triste. Quase um ano atrás, sua tão adorada esposa, Rosemary Barton, faleceu de forma trágica. Todas as pistas indicavam que ela tinha tirado a própria vida, durante uma reunião de família e amigos. 

Embora fosse um caso encerrado, a verdade é que o viúvo jamais esqueceu aquela cena, muito menos a ideia de que Rosemary não iria fazer aquilo com ela mesma. Suas suspeitas ganham mais força quando cartas anônimas chegam ao seu escritório, informando que sua esposa foi vítima de um homicídio. 

George então decide provar sua teoria. E a melhor forma para isso seria reunir todos os convidados daquela fatídica reunião. Afinal, se alguém teria ficado próximo o bastante para envenenar a bebida de Rosemary, só poderia ter sido um dos convidados no ano passado. 

Contudo, prestes a confirmar seu ponto de vista, o viúvo morre do mesmo jeito que Rosemary. É quando todos percebem que ele estava certo e começa-se uma nova investigação. Afinal, alguém está de olho naqueles convidados e qualquer um pode ser o culpado… ou a próxima vítima.

Fazia muito tempo que eu não lia nada da rainha e confesso que estava com saudades. Ganhei o exemplar de ‘Um Brinde de Cianureto’ no meu aniversário do ano passado, e ele estava na estante desde então. Como estava montando uma TBR para ler até o ano terminar, decidi conferir a história e não me arrependi. 

Publicada originalmente em 1937, em formato de conto (e também com outro nome), essa história passou por reformulações e ganhou cara de romance em 1945. Embora haja diferenças entre as versões (como é comentado no final da minha edição), ‘Um Brinde de Cianureto’ ainda surpreende até os leitores mais experientes. 

A história segue um padrão diferente do que tinha visto das obras da autora, já que é contada em duas partes. Sempre com a narrativa em terceira pessoa, vemos todos os fatos contados de uma visão mais geral. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Contudo, a primeira parte mostra a história antes de Rosemary tomar o veneno. Assim podemos conhecer o seu ponto de vista da história, além de formar uma opinião sobre cada personagem envolvido no caso, já que cada um tinha uma ideia diferente do que era conviver com a moça.

“[…] Considere quanta coisa tomamos por certa, baseados apenas na palavra de uma pessoa.”

Rosemary era uma pessoa que não tinha problemas na vida. Herdeira desde cedo, nunca dependeu de casamento para manter seu padrão de vida elevado. Assim, vivia em festas, bailes e cercada de gente que a idolatrava. No entanto, mesmo sendo casada com um homem que a adorava, ela não abria mão da própria felicidade, mesmo que isso custasse certas caras tortas da sociedade. 

George, por sua vez, era um homem mais velho, também rico, porém nunca se importou com o fato de sua esposa ter mais dinheiro que ele. Pelo menos, era o que demonstrava para o mundo. Sempre de bem com a vida, fazia questão de exibir Rosemary como sua prova de que o amor verdadeiro existia. 

Exatamente por isso, ele ainda não se conforma com o fato de ter visto sua esposa tirar a vida na frente de todo mundo. Em momento algum ela dava indícios de estar depressiva, triste, nem insatisfeita. Porque então ela faria aquilo consigo mesma? Só poderia ter sido obra de um terceiro. 

Mas quem teria ódio o suficiente de uma pessoa tão boa como Rosemary, ao ponto de bolar um plano tão cruel? Além disso, a polícia já tinha fechado o caso, e todas as tentativas de reabrir a investigação eram minadas pelos detetives, que encaravam George com pena. Afinal, ele era apenas um viúvo que não aceitava o luto e precisava seguir em frente, mesmo que doesse. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Só que George não estava disposto a desistir, especialmente quando cartas anônimas chegaram em suas mãos, confirmando sua hipótese. E, se a polícia não acreditava nele, ele buscaria a verdade e faria justiça por sua esposa, custe o que custar. 

É quando entram em cena os personagens secundários, e vemos também os motivos que cada um teria para querer ver Rosemary morta. Além disso, acompanhando o ponto de vista de cada personagem, entendemos o quanto a moça tão adorada na verdade seria apenas uma fachada de algo bem maior. 

Ainda mais quando George faz questão de reconstituir a cena do crime e morre da mesma forma que sua esposa. Tudo indicava um suicídio. Afinal, todos viam como George não suportava o luto e só podia ter decidido seguir o caminho da esposa. 

“Tente se dar conta de que o oposto destas pessoas pode existir também. Pessoas que são tão cínicas, tão desconfiadas de si mesmas e da vida que acreditam apenas em seus motivos ruins.”

Mas para o Major Race, ambos os casos indicavam uma mente assassina e meticulosa o suficiente para bolar o crime perfeito. E o suspeito estaria entre a lista de convidados das duas reuniões.  

Um Brinde de Cianureto
Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Sem tempo a perder, ele assume a investigação e precisa correr contra o tempo. Até porque ambas as mortes deixaram consequências, e qualquer um pode ser a próxima vítima. 

Já tinha um tempo que eu não li tramas em que o Major aparecia (ele foi apresentado ao público em Morte no Nilo). Então não lembrava mais como era o método dele de investigação. Mas fiquei feliz em ver como ele aprendeu as táticas com Poirot e seguiu bem a risca. 

Mantendo também o estilo, a autora manteve uma trama envolvente e cheia de pistas, que poderiam levar a diversos caminhos. Então precisei ficar atenta a cada uma e fui criando minhas teorias. 

Tinha vários suspeitos, mas mantive minha mente aberta, para a possibilidade de ser feita de trouxa aos 45 do segundo tempo. O que aconteceu em partes. 

Apesar de ter achado as motivações do culpado críveis, eu fiquei com um gostinho amargo pela forma como foi apresentada ao leitor. Já vindo de várias obras autora, achei estranha a escolha de simplesmente fechar a cortina e depois vir explicando tudo para o público, em vez de uma cena com mais ação (como a trama pedia). 

Por conta disso, gostei do desfecho, mas não da explicação. O que tirou uns pontinhos da leitura.  

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Falando sobre a obra em si, eu gostei bastante da edição, com uma diagramação elegante e simples. A revisão também está bem feita, e gostei dos elementos da capa. Mas acho que a cereja do bolo é ver as curiosidade da obra no final do livro, contando sobre as principais diferenças entre essa versão e a original. 

“Apavorante, de verdade, é o quão pouco você pode saber das pessoas após viver na mesma casa que elas!”

Em resumo, ‘Um Brinde de Cianureto’ é uma boa opção de leitura, especialmente se estiver em busca de uma obra envolvente e que vai te surpreender até o último minuto. Contudo, o final pode deixar um gostinho estranho, pela forma como foi apresentado ao leitor. 

Falei mais dele neste vídeo aqui: 

Agora me conta nos comentários: Já leu esse livro ou algum outro da rainha? Qual o seu favorito dela? 

Postado por:

Hanna de Paiva

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