20 de abril de 2024

Antes de Partir | Charlie Donlea

Olá meu povo, como estamos? O ano de 2024 começou já com leituras bem marcantes por aqui. E uma que ganhou esse título foi ‘Antes de Partir’, de Charlie Donlea. 

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Livro: Antes de Partir

Autoria: Charlie Donlea

Tradução: Carlos Szlak

Editora: Faro Editorial

Páginas: 221

Ano: 2022

Formato: Impresso

País: EUA

Nota: 4/5

As pessoas que amamos ficam conosco para sempre… às vezes de maneiras surpreendentes. Um ano depois do avião em que o marido viajava desaparecer no oceano Pacífico, Abby Gamble ainda tenta superar a dor da perda. O relacionamento entre ela e Ben era incondicional, profundo, e se fortaleceu ainda mais ao terem de lidar com uma tragédia anos atrás. Abby sabia que Ben iria querer que ela seguisse em frente. Seu primeiro passo foi entrar de cabeça no trabalho, dedicando-se a sua empresa de cosméticos… até que ela conhece Joel, um médico cujo passado é tão repleto de cicatrizes quanto o dela. Joel nunca se perdoou por uma decisão que tomou ainda na infância, que resultou numa fatalidade. Esse evento o fez direcionar todas as suas escolhas de futuro para se redimir do passado. Quando conhece Abby, ele decide se dar uma nova chance, mas Abby ainda resiste à ideia de deixar a história com Ben para trás. No entanto, desde que o avião caiu, Ben busca uma maneira de voltar para Abby. De alguma forma, ele precisa reencontrar a esposa novamente.

Abby e Ben Gamble são um casal perfeito. O relacionamento deles é sólido, lindo: o exemplo de que o amor verdadeiro existe e se fortalece com o passar dos anos. Contudo, eles não estavam preparados para o que estava prestes a acontecer.

Ben tem um compromisso importante longe da cidade e precisa se deslocar de avião. No entanto, a aeronave desaparece no meio do oceano e ninguém sabe onde os passageiros foram parar.

Abby agora precisa lidar com um luto inesperado, baseando suas emoções nas informações que a empresa aérea e os jornais transmitem. Enquanto isso, Ben faz de tudo para voltar para casa, pois sua única missão agora é ir até onde seu coração está.

‘Antes de Partir’ é um livro que foi bastante falado no ano de lançamento no país de origem. Quando a Faro anunciou a chegada da obra em “terras Tupiniquins”, não foi diferente. Por minha vez, eu paguei pela minha língua e estou gostando cada vez mais da escrita do Donlea, que está melhorando a cada publicação e logo que pude, comprei meu exemplar.

Mas como a leitora acumuladora que sou (nada fora do normal no mundo dos bookstans, rsrs), deixei o coitado na estante, guardado junto a vários outros encalhados e só vim ler agora em 2024, ao incluir o título no projeto 12 Livros para 2024. Aliás, para conferir a lista dos escolhidos para a edição desse ano, basta conferir o post aqui.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Voltando ao livro, pela primeira vez, optei por fugir de todas as resenhas que via sobre ‘Antes de Partir’ e nem a sinopse eu li, para ter de fato uma surpresa ao imergir na trama. O que foi uma boa ideia, já que Donlea conseguiu me fazer de trouxa com um livro fora da caixinha e cheio de plots.

“Uma hora depois, quando a família estava sentada ao redor da mesa de jantar e fazendo orações de agradecimento, ela sabia que todos se perguntavam em segredo a mesma coisa: como Abby Gamble poderia ser grata?”

A narrativa é em terceira pessoa, porém foca em dois cenários, ora relatando os acontecimentos do ponto de vista de Abby, ora pelo lado de Ben. Dessa forma, somos apresentados a momentos do passado, quando o casal se conheceu e construiu o relacionamento dos sonhos. Alternado a isso, temos o presente, quando a moça lida com a perda recente e o rapaz tenta a todo custo voltar para casa.

Normalmente, evito ler tramas com idas e vindas na linha do tempo, pois podem ficar cansativas e confusas no decorrer da leitura. Mas aqui a história ganhou pontos, com uma boa dosagem entre capítulos curtos e a escrita mais fluida do autor.

Além disso, tive uma grande surpresa ao esperar um suspense de tirar o fôlego e receber um drama daqueles bem emocionantes. Assim, posso dizer que foi a experiência mais fora da caixinha que já tive com os livros do autor.

O drama começa a ser mais palpável conforme somos apresentados aos demais personagens do elenco, que podem nos revelar diversos segredos escondidos nas entrelinhas. A começar por Joel, um cirurgião bem sucedido em tudo que faz, porém não consegue ter paz consigo mesmo por um segundo sequer. Isso porque ele tem muitos demônios do passado, que os atormentam até hoje e o fazem ficar cada vez mais isolado da própria família.

Ao longo dos capítulos, a narrativa não-linear também nos mostra a trajetória do personagem desde a infância até a fase adulta, mostrando as consequências de cada escolha que ele fez na vida. Ao mesmo tempo, vemos como a família que ele acha que o culpa realmente o trata e sente falta do ente desgarrado.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

Seu maior dilema é com o pai, um médico tão renomado quanto e que lhe serviu de exemplo profissional. Porém, agora mais velho e debilitado, está internado e sem grandes expectativas de recuperação. Dessa forma, Joel tem longos momentos para poder acertar suas contas com seu progenitor. Mas será que vai mesmo conseguir expurgar seus pecados?

“Ela apagou a luz ao se afastar do armário, lançando na escuridão as suas lembranças do único homem que já tinha amado.”

Enquanto isso, Ben é um náufrago do outro lado do oceano, disposto a fazer qualquer coisa que mostrasse para Abby que a ama mais uma vez. Isso porque ele tem um segredo que o atormenta há anos e não sabe como a esposa iria reagir. Quem mais o ajuda na “missão de resgate a si mesmo” é William, um garotinho que aparentemente também teria sobrevivido de alguma forma ao acidente e, ao mesmo tempo, tenta voltar para casa para ajudar o pai doente.

A relação de amizade inesperada desses dois é muito linda de se ver. Enquanto um tem a experiência da vida adulta, o outro tem uma sabedoria infantil que parece simples e inocente em um primeiro momento, mas pode ensinar grandes lições. Vendo a força de vontade que existe em Ben, William se sente comovido ao conhecer a história de amor do amigo e quer fazer parte disso. Então, eles trabalham e refletem juntos sobre tantas coisas, que eu comecei a me perceber num misto de emoções. Raiva, ranço, amizade e compaixão estão nessa lista e eu não sabia dizer qual era a mais forte.

Por sua vez, Abby é uma mulher que passou por muita coisa nessa vida, apesar da pouca idade. Ver como ela lidou com tantos acontecimentos impactantes me fez ver o quanto é uma personagem forte, resiliente e com um coração cheio de cicatrizes. Toda vez que eu conhecia mais uma versão da moça queria ser sua amiga e abraçar ela bem forte, para saber que tudo ia ficar bem.

“- Continue a procurar. Não desista. Às vezes, as coisas que estamos procurando estão bem na nossa frente, mas camufladas por nossos pensamentos e escondidas por causa dos nossos medos. Se você continuar procurando e deixar de pensar nas coisas que não pode mudar, todo o resto desaparece.”

Além disso, ver sua relação com a família após o acidente de Ben foi muito bonito. Isso porque todos ali a respeitam e torcem pelo bem estar da mocinha de uma forma verdadeira e gentil. Na maior parte das vezes, pelo menos. Isso porque a irmã mais nova de Abby está com os nervos à flor da pele, com novidades que estão por vir.

Embora eu compreenda o que a menina está passando e saiba das alterações de humor, confesso que achei a personagem irritante em boa parte da trama. Toda vez que aparecia eu revirava os olhos e queria que ela arrumasse logo algo para fazer e deixar a irmã em paz.

Foto: Hanna de Paiva | Mundinho da Hanna

O destino dos protagonistas se cruzam de uma forma inesperada, ao mesmo tempo que é previsível. Ao menos, pelo ponto de vista de Abby e Joel. Ambos sabem o que é lidar com o luto e os fantasmas do passado. Logo, não demora para que a química entre eles se desenvolva. No entanto, embora saiba que precisa seguir em frente, a incerteza sobre o paradeiro de Ben deixa a esposa confusa e receosa. Afinal, ele pode aparecer a qualquer momento, ou nunca mais voltar, como a empresa aérea acha.

Confesso que eu estava tão imersa na trama, ainda mais conhecendo o que se passava na mente de cada um deles, que não sabia para quem torcia. Embora não curta triângulo amoroso, eu nem sei se consideraria esse clichê aqui, dada as circunstâncias que nos são apresentadas.

No entanto, mesmo com esse amor confuso, eu queria muito que Ben voltasse a cena e colocasse Joel no seu devido lugar. Ao mesmo tempo que achava que o cirurgião merecia uma segunda chance na vida e cultivar um pouco de amor próprio. Algo que estava conseguindo junto de Abby, enquanto o marido dela deveria se lascar pelas coisas que fez.

O drama se mantém envolto em mistérios, como já seria esperado do autor. No entanto, apesar de avassalador e dar diversos tapas na cara do leitor, mostrando que tudo estava debaixo do meu nariz e não vi, me decepcionou de certa forma. Isso porque o livro apresenta umas falhas na trama, deixando pontas soltas e cenas mal explicadas, da mesma forma que vi em ‘A Garota do Lago’. Donlea parece que aprendeu e evoluiu bastante na escrita, conseguindo deixar essas pontas mais disfarçadas.

Mas a leitora de suspense (e amante de uma boa fofoca literária, rsrs) que sou não deixou de notar as informações sem resposta que poderiam passar batidas em olhares menos experientes. Por conta disso, o desfecho trouxe um plot inesperado, de tirar o fôlego e me fez de trouxa total (inclusive, explica de uma forma magnífica o título). Porém, não respondeu tudo do jeito que eu esperava e fiquei com a sensação de fofoca contada pela metade. O que é triste, já que o autor não tem o hábito de escrever histórias seriadas. Dessa forma, sei que ‘Antes de Partir’ se encerra daquela forma e nunca irei saber algumas respostas.

“- Nós todos queremos um dia extra com as pessoas que mais amamos – o homem disse. – É natural. Um dia a mais para dizer a elas todas as coisas que gostaríamos de ter dito quando tivemos a chance. Muitas vezes, acreditamos que o dia extra não está disponível para nós. Mas está. Se prestarmos atenção ao que é importante, está. Se aproveitarmos nosso tempo, está. Se estivermos a par do que temos, este dia extra está bem na nossa frente.”

Contudo, apesar das falhas perceptíveis, foi uma leitura que muito me surpreendeu, por ser um ponto bem fora da curva em relação à veia do suspense que ele vinha desenvolvendo. Também não me inteirei sobre o mais novo romance do autor, mas pelo que vi, seria outro drama. O que me deixa curiosa, ao mesmo tempo que desconfiada dessa mudança repentina de estilo. Mas como Donlea sempre surpreende, pode ser que minha próxima leitura seja melhor que essa e eu afirme que ele tem o dom para o terreno novo que está pisando (ou não).

Apesar dos pesares, ‘Antes de Partir’ é um livro que me tirou da zona de conforto. Pode não ter levado o título de melhores do ano, mas certamente ganhou o de favorito entre as obras do autor (perdendo apenas para ‘Não Confie em Ninguém’, que é o meu favorito da vida!).

Falando sobre o livro em si, li em formato físico e gostei bastante da diagramação (que segue o padrão dos demais títulos do autor). A capa é simples e tem uma arte que é explicada ao longo da trama. As páginas são bem grossinhas e amareladas, o que facilita bastante a experiência de leitura, junto com uma boa revisão e fonte legível.

Por fim, comecei 2024 (e o projeto) com o pé direito e recomendo a leitura. Como as obras do leitor são independentes, acho que, se nunca leu nada de Donlea, ‘Antes de Partir’ seria uma boa pedida para se aventurar nos livros dele.

O que acharam da resenha? Aproveitem e me contem: gostam dos livros do autor? Já eram algum dele?

Texto revisado por Emerson Silva

Postado por:

Hanna de Paiva

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