8 de fevereiro de 2022

De volta à terra de sempre | Camila Pelegrini

    Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de mais um
conto da antologia “Era uma vez… Vilãs”, escrito pela autora nacional Camila
Pellegrini. 
   Em ‘De Volta à Terra de Sempre’, temos uma releitura do clássico
“Peter Pan”, pela visão do vilão Capitão Gancho, aqui retratado como Joana
Batista, que vai ganhar os holofotes dos noticiários.

De volta à terra de sempre | Camila Pelegrini
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna

6/24

Livro: De volta à terra de sempre 

Autora: Camila Pelegrini 

Editora: Increasy 

Ano: 2022

Páginas: 66

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Joana Batista é esposa, mãe e professora de pilates, levando
sua vida de forma pacata. Ao menos até o dia em que ataca sua família e sai em
uma fuga desesperada, arrastando a filha pequena atrás de si. Leva apenas uma
mochila e um gancho, embora ninguém pareça capaz de compreender suas
motivações. Enquanto o país inteiro acompanha, chocado, os passos da perigosa e
incansável mulher, um novo apelido é cunhado “Capitã Gancho”. E ela está no
comando de sua vida.



De volta à terra de sempre | Camila Pelegrini



    Joana Batista é a notícia do momento. Apelidada de Capitã
Gancho pela mídia
, ela é procurada em todo o Estado, acusada de agredir o
marido, sequestrar a própria filha e sair munida com uma arma bem inusitada por
aí.
   O que levou uma mãe e esposa exemplar a surtar e sair mundo
afora desse jeito? 
   O país inteiro acompanha a história da Capitã Gancho, em
busca de justiça para a pobre criança e pelo marido, que só quer a garotinha de
volta.
   Está aí uma releitura que eu estava ansiosa para ver. E,
sendo “brazuca”, foi melhor ainda! 
   Eu A-M-O a história de Peter Pan, apesar de
achar uma das mais sombrias
(rsrsrs). Além disso, sempre achei o Capitão Gancho
injustiçado (me julguem!).
   Ver agora o Capitão em sua glória foi sensacional. Li a obra
em menos de um dia, pois simplesmente não consegui largar.
   A trama é narrada ora em primeira pessoa, pela visão de Joana,
ora em terceira, pela visão dos noticiários e do marido. 
   Então temos uma ideia
dos dois lados da história (se é que ajuda em alguma coisa).
   Enquanto a mídia praticamente massacra Joana, vendendo a
moça como uma mulher cruel, desequilibrada e que não tinha motivos para largar
sua casa daquele jeito, vemos uma pessoa que só quer fugir o mais rápido
possível.
   Sua filha, Wendy, é a vítima que os jornais vendem.
Garotinha bonitinha, sequestrada pela mãe, é uma pauta quente e mais do que
explorada pela mídia sensacionalista
   O marido, Pedro (Peter Pan), também não
fica atrás. Alegando não saber o motivo de sua mulher ter feito o que fez,
acaba ganhando fama de homem inocente e pai amoroso, praticamente idolatrado
como um herói nacional.
   Joana, por sua vez, só quer sobreviver. Sabe que não pode
parar em qualquer lugar e sua vida virou um filme de ação da noite para o dia. 


“O presente era o que era. Suposições não significavam nada além de uma espécie sutil de tortura, um incessante descumprimento de promessas.”



   O motivo de ela ter feito o que fez permanece um mistério, delineado a cada
capítulo.
   A única pessoa que não a olha como vilã é a policial que
investiga o caso (que faz as vezes de Sininho). 
   E isso nos leva a algumas
questões. Primeiro, o que vemos nos jornais realmente é aquilo tudo? Não estou
falando de todas as notícias. Afinal, temos muitos profissionais de verdade por
aí.
   Mas até que ponto grandes notícias não são apenas exploradas
como uma maneira de vender um furo de reportagem, sem se importar com o que
realmente aconteceu?
 
   Joana passou a ser uma vilã da noite para o dia e nem se preocuparam
em saber o porquê.
    Isso me revoltou profundamente e só torcia para que a
mocinha tivesse seu final digno
. Wendy, por sua vez, é uma garotinha doce e que
nutre amor de forma incondicional pela mãe. 
    É muito lindo ver a relação das
duas, mesmo nessa situação.
    Apesar disso, as atitudes e a visão de Joana sobre o que
aconteceu torna tudo tão ambíguo, que não a faz um personagem confiável. 
    Enquanto isso, Pedro se aproveita da fama de bom moço que ganha da mídia e não
se faz de rogado. Mas seu lado também revela não ser confiável, conforme as
investigações caminham.
   Quem é o grande vilão dessa história? Aliás, essa é a mesma
pergunta que me faço no conto original, pois sempre vi algo estranho no Peter
Pan que não queria crescer. 
   O Pedro da releitura é igualzinho: lindo, sedutor e
sempre com uma resposta pronta, mesmo que não faça sentido, mas convence a
todos.
Se está mesmo falando a verdade ou não, permanece um mistério.


“Não tinha medo de falar. Tinha medo de não ser ouvida. Havia uma diferença entre ambos, e ela, assim como toda mulher, a conhecia.”



   Aos poucos, percebemos que toda história tem dois lados e a
verdade só pode ser conhecida quando ambos são revelados na mesma proporção.
Confesso que já esperava o desfecho, mas não deixou de me surpreender, com os
olhos marejados ao ler.
   Além disso, esse conto é bastante atual, já que toca num
assunto pesado, triste e ainda recorrente em várias famílias brasileiras. 
   Infelizmente, não posso comentar, para evitar riscos de spoilers. Mas posso dizer que é um conto profundo, reflexivo,
necessário e emocionante.
   Talvez por isso, eu tenha me sentido tão próxima da Joana em
diversos momentos. E, mesmo com as atitudes que tomou, não consegui julgá-la.
Ela fez o que podia com o que podia.
   Aliás, acho que qualquer mulher
gostaria de ter uma Sininho por perto, como a protagonista conseguiu. 


De volta à terra de sempre | Camila Pelegrini
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna






   Juntas,
elas deram um
show de resiliência,
rede de apoio e muitas alfinetadas na sociedade por várias situações,
que
inclusive saíram na mídia tempos atrás.
   Eu amei a diagramação dessa obra. Mantendo o padrão, traz a
protagonista bem fiel à descrição, com uma capa vermelha chamativa e o gancho,
que não poderia faltar.
   Somando isso tudo, não poderia deixar de dar nota máxima
para o conto, que é um dos meus favoritos dessa antologia. 


















    Já conheciam os trabalhos da autora? E outras releituras de Peter Pan, conhecem? Me conte aí! 
    Aliás, lembro que uma vez me pediram para colocar aqui a lista com a antologia em ordem de publicação. 
    Todas as resenhas publicadas de “Era uma vez… Vilãs” estão na ordem certinha aqui. Porém, caso tenha chegado no Mundinho há pouco tempo e ainda não saiba a ordem, segue abaixo: 

1. A Morte lhe Cai Bem (Sarah Fidelis)

2. Encarcerada em Mim (Deborah Strougo)

3. A Última Cantada (Raffa Fustagno)

4. Viúva Cansada Procura (Aimée Oliveira)

5. Pátio dos Milagres (Carol Camargo)

6. Modelo de (Im)perfeição (Thais Louzada)

7. De Volta à Terra de Sempre (Camila Pellegrini)

 



                                                                                Obs.: Texto revisado por Emerson Silva

Postado por:

Hanna de Paiva

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